O homem pobre, o homem rico e a mágica dos juros compostos

Texto de autoria de Richard Russel.

Ganhar dinheiro envolve muito mais do que prever corretamente para qual direção os mercados de ações ou de títulos estão caminhando. Ou tentar descobrir qual ação ou fundo irá dobrar de valor nos próximos anos. Para a grande maioria dos investidores, ganhar dinheiro requer um plano, autodisciplina e desejo. 

Digo “para a grande maioria das pessoas” porque, se você é o Steven Spielberg ou o Bill Gates, não precisa conhecer nada sobre o mercado financeiro, sobre rendimento dos títulos e sobre a relação preço/lucro de cada acao. Você é um fenômeno em seu próprio campo e ganhará muito dinheiro como consequência de seu talento e de sua capacidade. 

Mas esse tipo de gênio é raro. 

O investidor médio, como você e eu, não é gênio; por isso, precisamos ter um plano financeiro. Em vista disso, ofereço abaixo alguns itens dos quais devemos estar cientes se realmente quisermos levar a sério a questão de ganhar dinheiro. 

Regra número 1: juros compostos

Uma das lições mais importantes para se viver no mundo moderno é que, para sobreviver, é preciso ter dinheiro. Mas para viver (sobreviver) com felicidade, é preciso ter amor, saúde (mental e física), liberdade, estímulo intelectual – e dinheiro. 

Quando ensinei meus filhos sobre dinheiro, a primeira coisa que lhes ensinei foi o uso da “bíblia do dinheiro”. 

Qual é a bíblia do dinheiro? Simples: é uma tabela de juros compostos. A composição é o caminho real para a riqueza. 

Saber fazer uso da mágica dos juros compostos é o caminho seguro. E garantido. E, felizmente, qualquer um pode fazê-lo. 

Para usufruir com sucesso dos juros compostos, você precisa do seguinte: perseverança para se manter firmemente no hábito da poupança. Inteligência para entender o que está fazendo e por quê. E conhecer a matemática básica para compreender as recompensas surpreendentes que virão caso você se mantenha fielmente na estrada dos juros compostos. 

Por fim, é claro, você precisa de tempo; tempo para permitir que o poder dos juros compostos funcione para você. Lembre-se de que a composição dos juros só funciona ao longo do tempo. 

Mas existem dois aspecto no processo da composição dos juros. 

O primeiro é óbvio: o processo pode envolver sacrifício (você não pode gastar dinheiro e ao mesmo tempo poupá-lo). 

Segundo: esperar o efeito dos juros compostos é algo chato – muito chato. Ou, melhor dizendo, é chato até (depois de sete ou oito anos) o dinheiro começar a chegar. 

Aí então, acredite, o efeito dos juros compostos se torna muito interessante. De fato, torna-se absolutamente fascinante! 

Para enfatizar o poder dos juros compostos, incluo este estudo extraordinário, cortesia da Market Logic, de Fort. Lauderdale. 

Neste estudo, supomos que o investidor (B) abre um fundo de previdência aos 19 anos. Por sete anos consecutivos, ele deposita anualmente $ 2.000 em seu fundo, o qual rende uma taxa média de 10% ao ano. 

(Repare que não precisa ser necessariamente um fundo de previdência. Pode ser qualquer investimento que gere 10% ao ano, o que inclui também ter um próprio negócio, com novos investimentos de $ 2.000 a cada ano. No atual momento do Brasil, mesmo com a Selic em níveis historicamente baixos, há CDBs de bancos pequenos, disponíveis em corretoras, que pagam até 11% ao ano).

E agora vem o ponto principal: após sete anos, esse cidadão NÃO faz mais nenhum aporte anual – ele terminou.

Um segundo investidor (A) não faz nenhum aporte até os 26 anos (que é exatamente a idade em que o investidor B acabou de terminar seus aportes). Aí então A começa fielmente a aportar com $ 2.000 todos os anos — até os seus 65 anos (recebendo a mesma taxa de juros de 10% ao ano).  

Agora, compare os resultados incríveis: B, que começou seus aportes mais cedo (sete anos antes) e que fez apenas sete aportes, termina com MAIS dinheiro do que A, que fez 40 contribuições, mas começando sete anos mais tarde.

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A diferença entre os dois é que B teve sete anos a mais de efeito dos juros compostos do que A. Aqueles sete primeiros anos valeram mais do que todas as 33 contribuições adicionais feitas por A.

Este é um estudo que eu energicamente sugiro que você mostre aos seus filhos. Trata-se de um estudo que reitera um fato: quanto mais cedo você começar a poupar e investir, mais rico será. Trata-se de um estudo com cujas premissas eu segui em minha e posso garantir: “Funciona”. 

Você pode trabalhar seu juros compostos com títulos públicos, com um bons fundos multimercados, com fundos de ações e abrindo um próprio negócio e reinvestindo seus proventos.

Regra número 2: Não perca dinheiro

Isso pode parecer ingênuo, mas acredite, não é. 

Se você quer ser rico, não deve perder dinheiro — ou, devo dizer, não deve perder muito dinheiro. 

Parece uma regra absurda, boba? Talvez, mas a maioria das pessoas perde dinheiro em investimentos desastrosos, em consumo supérfluo, em negócios insensatos, em ganância desmedida e até mesmo por terem um timing ruim. 

Depois de quase cinco décadas investindo e conversando com investidores, posso assegurar que, de fato, a maioria das pessoas definitivamente perde dinheiro, e muito – com ações, com opções, com o mercado de futuros, em imóveis, em empréstimos ruins, em jogatina, em apostas, em esquemas de pirâmides e em seus próprios negócios.

Regra número 3: Homem rico, homem pobre 

No mundo dos investimentos, o investidor rico tem uma grande vantagem sobre o pequeno, sobre o amador da bolsa, e sobre o trader neófito. A vantagem de que o investidor rico desfruta é que ele não precisa dos mercados. 

A diferença que isso faz, tanto na atitude mental quanto na maneira como alguém lida com o dinheiro, é avassaladora. 

O investidor rico não precisa dos mercados porque ele já tem toda a renda de que precisa. Ele tem dinheiro entrando através de seus títulos (públicos e privados), fundos multimercado e de ações e imóveis. Em outras palavras, o investidor rico nunca se sente pressionado a “ganhar dinheiro” no mercado. 

O investidor rico tende a ser um especialista em valores. Quando os preços dos títulos estão baratos e os juros que eles pagam estão irresistivelmente altos, ele compra títulos. Quando as ações estão uma barganha e seus dividendos, atrativos, ele compra ações. Quando ele visualiza que haverá grande demanda por imóveis, ele compra imóveis. Quando obras de arte, joias finas ou ouro estão a preços de oferta, ele compra arte, diamantes ou ouro. Em outras palavras, o investidor rico coloca seu dinheiro onde estão os grandes valores.

E se nenhum ativo estiver disponível a valores atraentes, o investidor rico espera. Ele pode se dar ao luxo de esperar. Ele tem renda passiva entrando diariamente, semanalmente, mensalmente. O investidor rico sabe o que está procurando, e não se importa em esperar meses ou até anos pelo próximo investimento (eles chamam isso de ‘paciência’).

Mas e o pequeno investidor? Este cidadão sempre se sente pressionado a “ganhar dinheiro”. E, consequentemente, ele está sempre pressionando o mercado a “fazer algo” por ele. Mas, infelizmente, o mercado não está interessado. Quando este sardinha (que é o oposto do tubarão) não está comprando ações que oferecem rentabilidades de 1% ou 2%, ele está comprando títulos de capitalização, bilhetes de loteria ou, onde permitido, perdendo dinheiro em cassinos. Ou então está “investindo” em algum esquema de pirâmide de “retorno alto e garantido” sobre o qual seu vizinho lhe falou (com a maior confidencialidade, é claro). 

E dado que este pobre diabo está tentando forçar o mercado a fazer algo por ele, é garantido que ele vai perder. Como o cidadão não entende nada sobre quais são os valores corretos de cada ativo, ele constantemente paga caro. Ele está sempre comprando caro. E ruim. Ele não compreende o poder dos juros compostos. Ele não entende de dinheiro. Ele nunca ouviu o ditado: “Quem entende de juros ganha juros. Quem não entende de juros paga juros”. Ele é o cidadão médio típico, e está afundando em dívidas.

Como resultado, ele está sempre suando – suando para pagar as prestações da geladeira, do carro, da televisão e, é claro, da casa própria (ele não admite morar de aluguel). Ele é impaciente e se sente perpetuamente explorado. Ele diz a si mesmo que precisa ganhar dinheiro, e rápido. E então ele se entrega a essas promessas de “ganhos rápidos, fáceis e garantidos” [nos dias de hoje, essas promessas são feitas por traders de YouTube]. 

No final, o sardinha perde seu dinheiro no mercado ou em esquemas fraudulentos. Em suma, esse “nerd do dinheiro” passa a vida tentando subir por uma escada rolante que desce.

Mas aqui está a parte irônica de tudo. Se, desde o início, este cidadão tivesse adotado uma política estrita de jamais gastar mais do que ganha, e se ele tivesse pegado essa poupança extra, investido em títulos geradores de renda, e usufruído dos juros compostos, então, com o tempo, ele passaria a receber dinheiro diariamente, semanalmente, mensalmente, assim como o homem rico. 

O rapaz teria se tornado um vencedor financeiro, em vez de um derrotado patético.

Regra número 4: valores

O único momento em que o investidor médio deve se afastar do sistema básico de juros compostos é quando um determinado mercado oferece um valor excepcional. 

Considero que um investimento é de grande valor quando oferece (a) segurança; (b) um retorno atraente; e (c) uma boa chance de se valorizar em termos de preço. 

Em todos os outros momentos, o método dos juros compostos é mais seguro e provavelmente muito mais lucrativo, pelo menos no longo prazo.

A jornada do Juruna – Aporte nº 81

Aporte nº 81, setembro de 2020.

Para quem não sabe da história do nosso protagonista, veja aqui.

Aviso: não sou profissional com certificações para indicar investimentos! Todas as informações fornecidas neste site têm o intuito de provocar, de forma simples e didática, a busca por conhecimento para o leitor melhor conduzir a própria vida financeira.

Em 04/09/2020, o patrimônio de Juruna estava composto nas seguintes quantidades:

Dinheiro novo em Setembro/20:

  • Aporte: R$ 2.000,00;
  • Proventos referentes a agosto/20: R$ 208,00;
  • Total a ser investido em set/20: R$ 2.208,00.

Respeitando o limite imposto na estrutura do patrimônio, Juruna aportou em renda variável, adquirindo 78 ações de YDUQ3 ao preço máximo do pregão de 04/08/2020 : R$ 28,20.

Quem quiser verificar a evolução do patrimônio de Juruna desde jan/2014, segue o link para o download da planilha:

Visão geral do patrimônio do Juruna
Patrimônio do Juruna após o aporte de setembro

Sigamos em frente!

A jornada do Juruna – Aporte nº 80

Aporte nº 80, agosto de 2020.

Para quem não sabe da história do nosso protagonista, veja aqui.

Aviso: não sou profissional com certificações para indicar investimentos! Todas as informações fornecidas neste site têm o intuito de provocar, de forma simples e didática, a busca por conhecimento para o leitor melhor conduzir a própria vida financeira.

Em 10/08/2020, o patrimônio de Juruna estava composto nas seguintes quantidades:

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Dinheiro novo em Agosto/20:

  • Aporte: R$ 2.000,00;
  • Proventos referentes a julho/20: R$ 96,05;
  • Total a ser investido em ago/20: R$ 2.096,05.

Respeitando o limite imposto na estrutura do patrimônio, Juruna aportou em renda fixa, adquirindo 1,49 títulos IPCA + 2045 ao preço unitário de R$ R$ 1.402,16.

Para quem quiser verificar a evolução do patrimônio de Juruna desde jan/2014, segue o link para o download da planilha:Carteira-do-Juruna-agosto-20

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Visão geral do patrimônio do Juruna (WEG cada vez maior)

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Patrimônio do Juruna após o aporte de agosto

Sigamos em frente, rumo à RV!

“Nem só de renda fixa viverá o homem”.

A Teoria Monetária Moderna já está sendo aplicada – e explica a inflação do ouro e dos “day traders”

Direito de autoria do site Mises Brasil.

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O básico da TMM

Um dos pilares básicos da TMM é a tese de que um governo que tem a liberdade de imprimir a própria moeda não sofre de nenhuma restrição fiscal.

Sempre que quiser incorrer em qualquer gasto (ou em qualquer aumento de gasto), basta o Banco Central imprimir a quantidade de moeda necessária.

É realmente simples assim. (Mas jamais mencione que o governo brasileiro fez exatamente isso na década de 1980, pois aí você estraga a narrativa).

Se os fatores de produção (mão-de-obra e todos os maquinários industriais) não estiverem 100% ocupados — ou seja, se a economia não estiver a pleno emprego, com o PIB crescendo aceleradamente —, não há por que se preocupar com qualquer pressão nos preços. O Banco Central pode imprimir sem medo.

No entanto, caso a inflação de preços porventura comece a incomodar, basta o governo aumentar impostos. Isso irá “enxugar” todo esse excesso de moeda da economia.

Sim, para os adeptos da TMM, a função da tributação não é “obter receitas” para o governo (ele não precisa de receitas, pois pode simplesmente imprimir moeda).

A tributação, ao contrário, tem duas funções: a) retirar moeda da economia quando esta se torna excessiva e começa a pressionar os preços; e b) motivar o uso da moeda nacional e obter sua aceitação geral, pois é essa unidade de conta que o estado reconhece como meio de pagar impostos.

Sim, você leu corretamente: uma das funções da tributação é obrigar o público a usar a moeda, pois, segundo a teoria, a aceitação da moeda decorre do fato de que ela pode ser usada para quitar impostos.

A tributação, portanto, tem uma função reguladora: ela reduz o excesso de demanda e modifica o comportamento individual.

Como consequência de tudo isso, todos os gastos do governo podem ser financiados ou pela criação direta de moeda pelo Banco Central ou pelo endividamento do governo. O endividamento seria apenas uma espécie de “alternativa de luxo”, a qual não geraria nenhuma consequência negativa, pois o estado pode emitir dívida e, depois, imprimir moeda para quitar esta dívida.

E como os gastos públicos levam à criação de moeda, os próprios gastos criam a poupança necessária para financiar o déficit orçamentário (as pessoas recebem a moeda criada pelo governo e, em seguida, podem utilizar essa moeda para comprar novos títulos do governo). Consequentemente, o governo pode definir a taxa de juros em qualquer nível que desejar, de preferência em zero (André Lara Resende propõe a manutenção da taxa básica de juros sempre abaixo da taxa de crescimento da economia.)

Confira com seus próprios olhos

Em decorrência da pandemia de Covid-19, os governos fecharam suas economias ao redor do mundo. Como consequência desta violenta intervenção estatal, a atividade econômica entrou em colapso. PIBs desabaram, o desemprego disparou, as receitas tributárias caíram e os gastos governamentais voltados para o “combate” da pandemia — o que majoritariamente inclui o repasse de auxílios financeiros a desempregados e autônomos — aumentaram drasticamente.

Como houve uma queda nas receitas e um aumento nas despesas, uma parte desse buraco foi coberta por endividamento do governo (a juros reais negativos ao redor do mundo) e outra parte foi coberta via impressão monetária.

Por uma questão de brevidade, vamos abordar apenas EUA e Brasil. Mas creia-me: os efeitos abaixo são similares para todos os principais países do mundo, da zona do euro ao Japão, passando por Reino Unido, Suíça, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

O gráfico a seguir mostra a evolução do M1 (papel-moeda em poder do público mais saldos em conta-corrente) no Brasil.

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Evolução do M1 (papel-moeda em poder do público mais saldos em conta-corrente) no Brasil.

Observe a disparada ocorrida a partir de março, um movimento completamente atípico e inaudito. Nos últimos 12 meses (de junho de 2019 a junho de 2020), o aumento foi de 40%.

O mesmo fenômeno pode ser observado nos EUA.

O gráfico a seguir mostra a evolução do M1 nos EUA.

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Evolução do M1 (papel-moeda em poder do público mais saldos em conta-corrente) nos EUA.

Nos últimos 12 meses (de junho de 2019 a junho de 2020), o aumento também foi de 40%.

Vale ressaltar que, em um cenário normal, a oferta monetária aumenta quando pessoas e empresas pegam empréstimos bancários. No arranjo monetário e bancário do mundo moderno, a oferta monetária aumenta quando há endividamento de pessoas e empresas.

Em momentos de normalidade, o Banco Central não injeta moeda diretamente na economia; ele injeta moeda apenas nos bancos (aumentando a base monetária), e os bancos é que decidem se irão despejar esta moeda na economia (por meio da criação de crédito). Se os bancos não expandirem o crédito, o dinheiro simplesmente não entra na economia. Não há outra maneira de o dinheiro entrar na economia que não seja pelo sistema bancário.

Agora, porém, os Bancos Centrais deram um jeito de contornar esse arranjo e, em vez de depender de emprestamos concedidos pelo sistema bancário, passaram a jogar moeda diretamente na economia.

Essa mudança de comportamento é o que explica a explosão do M1 nos gráficos 1 e 2 após anos de “crescimento normal”.

Como consequência dessa acelerada inflação monetária e do fato de os juros reais estarem negativos, o preço do ouro está batendo seguidos recordes — afinal, é para o ouro que sempre correm os investidores experientes quando estes prenunciam uma futura desvalorização da moeda e os juros reais estão baixos. É no ouro que eles protegem seu patrimônio.

O gráfico a seguir mostra a evolução do preço do ouro em dólares:

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Gráfico 3: evolução do preço do ouro em dólares

Máxima histórica.

E agora, a evolução do preço do ouro em reais:

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Evolução do preço do ouro em reais

Também na máxima histórica.

O que podemos comprovar, por ora, é que toda essa criação de moeda perpetrada pelos Bancos Centrais está pressionando o preço do ouro, o que indica que os investidores estão em busca de proteção.

(Uma boa parte dessa moeda também está indo para os mercados acionários, sendo a Nasdaq a bolha mais explícita de todas. Quem souber a hora certa de sair colherá formidáveis lucros. Mas isso é só para especulador experiente.)

Como ainda não está havendo uma explícita inflação de preços (devido às enormes incertezas econômicas, as pessoas estão preferindo poupar os valores recebidos do governo, em vez de gastar), os governos ainda não estão preocupados em interromper toda essa inflação monetária. E enquanto ela perdurar, haverá gás para o preço do ouro.

Esta prática de injetar moeda diretamente na economia para bancar os gastos do governo (dando um drible no sistema bancário) foi retirada diretamente do manual da Teoria Monetária Moderna. Assim, pode-se dizer que metade de TMM já foi implantada (criação de moeda para financiar gastos do governo, o que gera juros reais zero). A outra metade — aumentar impostos para enxugar o excesso de moeda da economia — ainda não precisou ser implantada porque, em tese, a inflação de preços ainda não incomoda.

A conferir o futuro.

Falsificando preços para reativar a economia — e a inflação do day traders

Além de todos os outros problemas, essa política de criação livre de moeda é nefasta porque ela destrói aquele que é o mais importante recurso de uma sociedade livre: preços corretos gerados pela oferta e pela demanda.

Estes preços são a baliza que os empreendedores utilizam para decidir quanto pagar por bens de capital, fatores de produção (como mão-de-obra) e serviços, na expectativa de obter uma maior renda no futuro com a venda do serviço e do bem de consumo final.

Mas o sistema de preços está sendo destruído pelas políticas de déficits e criação de moeda. A ausência de poupança foi mascarada pela criação de moeda. A forte queda observada nas taxas de juros de longo prazo precifica isso: a moeda criada pelo Banco Central está fazendo parecer que há uma abundância de poupança disponível para bancar novos projetos.

Logo, aqueles que preveem uma recuperação rápida em decorrência dessa manipulação monetária estão realmente dizendo o seguinte: “Informações erradas são essenciais para a recuperação econômica. Sem a completa distorção do sistema de preços por meio de aumento de gastos, déficits orçamentários e criação de moeda, estaríamos em depressão.”

Em outras palavras, as atuais condições de oferta e demanda gerariam uma depressão; e a única maneira de a depressão ser evitada, e a plena prosperidade ser recuperada em um ano, é essa: sinais de preço falsificados pela intervenção governamental.

Ou seja, falando no popular, fake news é a base necessária para uma recuperação econômica real.

É óbvio que não tem como dar certo. Tais políticas, repetindo, apenas fazem com que os preços (principalmente o mais crucial deles, que são os juros) na economia não mais reflitam as condições de oferta e demanda. Isso significa que os empreendedores passam a receber informações erradas. E eles tomarão suas decisões baseando-se nessas informações erradas. Isso irá gerar perdas. Empreendedores que acreditam em informações erradas e que investem segundo estas informações erradas terão perdas no futuro.

Se não sabemos quanto algo custa em termos das atuais condições de oferta e demanda, não sabemos qual é o seu real valor na economia.

Consequentemente, não é possível estimar qual será o seu valor daqui a um ano. Criação de moeda pelo Banco Central e um maciço aumento de gastos governamentais não geram alocação racional de capital. Ao contrário: geram alocação irracional de capital.

E é isso o que explica essa verdadeira inflação de day traders — normalmente amadores que nunca operaram ações, mas que, vendo os contínuos aumentos da bolsa de valores, acreditam ser fácil enriquecer comprando e vendendo ações no mesmo dia.

Recentemente, uma famosa influencer de Instagram — que ganhou fama dando dicas de alimentação e atividades físicas — anunciou que agora iria se dedicar a ganhar dinheiro fazendo day trade na bolsa, pois era ganho garantido. Após alguns ganhos, ela disse ter constatado que “nasceu para isso“.

Assim como ela, várias outras pessoas físicas estão fazendo o mesmo. (Eu mesmo conheço um cirurgião que deixou a medicina para virar day trader. Segundo ele: “Estudei dois anos. Já consigo fazer”.)

Nos EUA, esse fenômeno é muito mais intenso. A injeção monetária está sendo tão intensa, que todas as ações estão subindo e, com isso, vários investidores pessoas físicas que recém-entraram na bolsa estão tendo retornos maiores que muitos fundos de investimento famosos.

Um destes, que se tornou famoso, chegou a dizer que day trade é o jogo mais fácil que já jogou na vida, e que Warren Buffet é um idiota.

E já há casos de suicídio em decorrência das perdas vivenciadas.

Todo esse fenômeno é apenas um exemplo de toda a distorção de preços e de incentivos gerada pela impressão de moeda.

No final, é disso que se tratam os pacotes de socorro, principalmente a impressão de moeda feita pelo Banco Central: a crença de que preços falsificados, bolhas e alocação irracional geram retomada econômica.

Para concluir

Se você é especulador profissional e experiente, esse é um ótimo momento para você aumentar seu patrimônio. Sabendo a hora certa de entrar e de sair, você pode se aposentar. A Teoria Monetária Moderna foi feita para você.

Já se você é apenas um amador (popularmente conhecido como “sardinha”), resista ao impulso, contenha-se e concentre-se apenas em proteger o seu patrimônio — o que já é um grande desafio neste cenário dominado pela TMM, a qual é contra indivíduos frugais e poupadores.

O que é realmente certo é que tal arranjo não é propício para a racionalidade econômica. E muito menos para um progresso econômico saudável.

Sorte ou azar, só o tempo dirá

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Era uma vez um menino pobre que morava na China e estava sentado na calçada do lado de fora da sua casa. O que ele mais desejava era ter um cavalo, mas não tinha dinheiro. Justamente neste dia passou em sua rua uma cavalaria, que levava um potrinho incapaz de acompanhar o grupo. O dono da cavalaria, sabendo do desejo do menino, perguntou se ele queria o cavalinho. Exultante, o menino aceitou o presente. Um vizinho, tomando conhecimento do ocorrido, disse ao pai do garoto: -seu filho é de sorte!

-Por quê? Perguntou o pai.

-Ora, seu filho queria um cavalo, passa uma cavalaria e ele ganha um potrinho. Não é uma sorte?

-Pode ser sorte ou pode ser azar! Comentou o pai.

O menino cuidou do cavalo com todo zelo, mas um dia, já crescido, o animal fugiu.

Desta vez, o vizinho diz: -seu filho é azarento, hein? Ele ganha um potrinho, cuida dele até a fase adulta, e o potro foge!

-Pode ser sorte ou azar, repetiu o pai.

O tempo passa e um dia o cavalo volta com uma manada selvagem. O menino, agora um rapaz, consegue cercá-los e fica com todos eles.

Observa o vizinho: -seu filho é de sorte! Ganha um potrinho, cria, ele foge e volta com um bando de cavalos selvagens.

-Pode ser sorte ou pode ser azar, responde novamente o pai.

Mais tarde, o rapaz estava treinando um dos cavalos, quando cai e quebra a perna.

Mais uma vez o vizinho: -seu filho é de azar! O cavalo foge, volta com uma manada selvagem, o garoto vai treinar um deles e quebra a perna.

-Pode ser sorte ou azar, insiste o pai.

Dias depois, o reino onde viviam declara guerra ao reino vizinho. Todos os jovens são convocados, menos o rapaz que estava com a perna quebrada.

Espantado, o vizinho: -seu filho é de sorte…

Assim é na vida, tudo que acontece pode ser sorte ou azar. Depende do que em depois. O que parece azar num momento, pode ser sorte no futuro.

Sabedoria é o uso inteligente do conhecimento consciente e inconsciente.

Experiência associada à profunda reflexão constitui um modo eficaz de atingir sabedoria.

Sabedoria é manifestada por acuidade de percepção e flexibilidade de ação.

Se o que você está fazendo não está funcionando, pare, pense, analise e decida uma nova ação. Continuar agindo da mesma forma e esperar resultados diferentes é manifestação de insanidade mental.

Agir pode significar, às vezes, nada fazer.

Fazer nada constitui, em muitas ocasiões, estar fazendo o que precisa ser feito.

Tira dúvidas sobre investimentos no exterior

Compartilho no blog uma explicação sucinta do camarada Max, exímio grafista, no grupo de WhatsApp do Pracinha sobre investimentos no exterior.

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Nessa foto temos o Max tentando entender a carteira do Caitano (celular sem tela)

Existem basicamente duas formas de investir no exterior: como uma estratégia complementar ao seu portfolio nacional e como uma estratégia independente.

Como uma estratégia complementar, você pode buscar maior beta (volatilidade), via exposição a ativos de maior risco ou alavancagem. A oscilação da carteira é maior, mas ela é amortecida por eventual menor volatilidade da carteira total (considerando a parte que ficou no Brasil). Como há um custo de mandar o dinheiro pra fora (basicamente o spread entre o preço de compra do dólar e o preço de venda e também os custos operacionais, como corretagem), essa é uma estratégia que emprega melhor o capital fora.

Como estratégia independente ou de proteção do capital, você trata a carteira de fora como uma carteira totalmente nova, e daí você precisa trabalhar com ativos com baixa ou menor correlação entre si. Essa estratégia é melhor para quem gosta de ver menores variações no patrimônio, não tem perspectiva de repatriar os recursos tão cedo ou pretende utilizá-los fora.

Nos dois casos, acredito que a melhor forma de investir no exterior seja via ETFs, porque eles permitem, com poucos custos (e menor tempo dedicado), ter uma exposição a uma variedade grande de fatores via poucos ativos. Por exemplo, os ETFs IVV, VOO e SPY permitem uma exposição barata às 500 maiores empresas dos EUA que integram o índice S&P500), mas têm um substituto praticamente perfeito no Brasil (o IVVB11, negociado na B3). O QQQ oferece exposição ao Nasdaq-100 e o IWM ao Russel 2000 (índice das Small Caps americanas).

Ao comprar cada um desses ETFs, você está comprando uma ampla carteira de ativos e, ao combiná-los, você pode fazer o que se chama de “factor investing” (ou investimento por fatores). Um autor chamado Eugene Fama desenvolveu o estudo do investimento por fatores e demonstrou que a exposição aos fatores “value” (empresas baratas, de acordo com seus múltiplos) e “size” (empresas menores), no longo prazo, pode vencer o mercado.

Contudo, ainda que seja verdadeira essa tese, podem ocorrer longos períodos em que ela não funcione (nos últimos dez anos, as empresas maiores e de crescimento tiveram uma sobre-performance sobre empresas menores e “de valor”). Então, investir no Nasdaq (QQQ) acabou sendo melhor do que no Russel 2000 (IWM).

Por ETFs também é possível investir em países específicos ou no mundo (são os ETFs de Country Exposure). Neste caso, quanto mais amplo o ETF, melhor. O URTH investe no mundo desenvolvido e o EEM investe em países emergentes. Ambos são excelentes para exposição internacional.

No site ETF database é possível consultar outros países específicos e índices específicos, mas não acredito que haja razão para um investidor comum carregar a mão em um país que desconhece. Apesar disso, o ETF da China (MCHI) seja bem atrativo, porque ainda é barato e cuida de um dos países de maior crescimento econômico e tecnológico do momento, com uma série de problemas políticos e com direitos humanos, contudo.

Há ainda ETFs por estratégia, como o NOBL e SPHD (que focam em dividendos e acabam aderindo bem à estratégia de valor do Fama) ou o IWF e XLK (que foca em “empresas de crescimento”). Essas estratégias podem ser interessantes, mas, no longo prazo, investir em índices amplos se revela mais simples e tem menos armadilhas (num ambiente aleatório, como é o mercado, os humanos tendem a performar menos do que as probabilidades sugerem, justamente porque acreditam que podem controlar a aleatoriedade).

Do mesmo modo, não recomendo comprar ETFs por setores, mas temos vários: XLF (bancos), XLE (energia), XLT (tecnologia), XLV (health care) etc.

Ao comprar ETFs de ações, é preciso observar se há muito overlap entre eles (se as carteiras coincidem muito). Neste caso, pode haver uma ilusão da diversificação. Por exemplo, existe cerca de 40% de overlap entre QQQ e o SPY, então o ganho marginal em diversificação da compra do QQQ não é alto e talvez não compense a super-concentração em techs de alto market cap e altos múltiplos (no longo prazo, cestas de empresas de crescimento, com altos múltiplos, tendem a perder para o mercado, então quanto mais concentrado nisso, pior).

Por fim, é preciso falar dos ETFs de renda fixa. Nos de renda fixa, é possível comprar desde os ETFs mais amplos aos mais específicos. O BND pega todo o mercado de renda fixa americana (público e privado) e o HYG pega praticamente todo o mercado crédito privado “high yield”. Temos ainda o TLT, IEI e SHY (que são ETFs de treasuries de diferentes durations).

Quanto maior a duration, maior a volatilidade, e, na medida em que o vencimento vai se aproximando, o gestor do ETF vende os prazos mais curtos e compra os mais longos, para manter a duration-meta estável. Desse modo, se você compra um ETF para vinte anos, daqui a vinte anos, ele continuará comprado em títulos com vencimento longo (+20 anos pra a frente).

Bônus: ETFs alavancados. Como parte de uma estratégia de carteira, desde que em ambiente controlado, é possível utilizar ETFs alavancados (como UPRO para o S&P 5000, TQQQ para o Nasdaq e EDC para os mercados emergentes). Eles te possibilitam um uso mais eficiente do capital, mas te expõem a perdas irreparáveis, se mal utilizados.

Ao utilizar ETFs alavancados, você deve saber calcular o “value at risk” da sua carteira e não manter esse valor acima de 110% ou 120%. Em termos bem simples, 10 mil USD em um ETF 3x alavancado representa um “value at risk” de 30 mil USD. Você pode usar isso para aumentar sua exposição a um determinado índice sem ter que mandar muito dinheiro, mas é recomendável que você tenha dinheiro em renda fixa pós-fixada ou pré-fixada curta para dar lastro a essa exposição.

Com uma certa engenharia financeira, é possível ter 100% de “value at risk” em um dado momento, sem que a exposição seja de 100%; por exemplo, se o sujeito compra 33% do patrimônio de UPRO (nos EUA) e 67% de Tesouro SELIC (no Brasil). Ele tem 100% do upside do SP500, mas 33% do downside, com beta igual a 1, num momento determinado (isso é dinâmico e vai estar em constante mudança, exigindo rebalanceamento e acompanhamento pelo menos mensal).

Bônus 2: ETFs de commodities e criptomoedas. Para algumas pessoas, pode ser interessante comprar ouro (GLD), prata (SLV), bitcoin, petróleo (USO). No longo prazo, o movimento de commodities é cíclico e não há prova de que geram riqueza, mas é algo que pode interessar numa diversificação. Recentemente, isso entrou na moda…

A jornada do Juruna – Aporte nº 79

Aporte nº 79, julho de 2020.

Para quem não sabe da história do nosso protagonista, veja aqui.

Aviso: não sou profissional com certificações para indicar investimentos! Todas as informações fornecidas neste site têm o intuito de provocar, de forma simples e didática, a busca por conhecimento para o leitor melhor conduzir a própria vida financeira.

Em 03/07/2020, o patrimônio de Juruna estava composto nas seguintes quantidades:

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Dinheiro novo em Julho/20:

  • Aporte: R$ 2.500,00;
  • Proventos referentes a junho/20: R$ 5,66;
  • Total a ser investido em jul/20: R$ 2.505,66.

Respeitando o limite imposto na estrutura do patrimônio, Juruna aportou em renda fixa, adquirindo 1,98 títulos IPCA + 2045 ao preço unitário de R$ 1.264,95.

Para quem quiser verificar a evolução do patrimônio de Juruna desde jan/2014, segue o link para o download da planilha: Carteira-do-Juruna-julho-20

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Diversificação do patrimônio do Juruna

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Patrimônio do Juruna após o aporte de Julho

E vamos em frente!

Ps: só tem vacilão no TC.

A jornada do Juruna – Aporte nº 78

Aporte nº 78, junho de 2020.

Para quem não sabe da história do nosso protagonista, veja aqui.

Aviso: não sou profissional com certificações para indicar investimentos! Todas as informações fornecidas neste site têm o intuito de provocar, de forma simples e didática, a busca por conhecimento para o leitor melhor conduzir a própria vida financeira.

Em 05/06/2020, o patrimônio de Juruna estava composto nas seguintes quantidades:

Sem título

Dinheiro novo em Junho/20:

  • Aporte: R$ 2.000,00;
  • Proventos referentes a Maio/20: R$ 216,95;
  • Total a ser investido em Jun/20: R$ 2.216,95.

Respeitando o limite imposto na estrutura do patrimônio, Juruna aportou em renda fixa, adquirindo 1,83 títulos IPCA + 2045 ao preço unitário de R$ 1.209,15.

Para quem quiser verificar a evolução do patrimônio de Juruna desde jan/2014, segue o link para o download da planilha: Carteira-do-Juruna-junho-20.

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Diversificação do patrimônio do Juruna

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Patrimônio do Juruna após o aporte de Junho

Juruna antifrágil.