A importância de ter a própria “pele em jogo” – os ensinamentos sempre perspicazes de Nassim Taleb

Direito de autoria do site Mises Brasil.

Nassim Nicholas Taleb não é de tolerar insensatez. Autor de vários livros, dentre os quais os famosos A Lógica do Cisne Negro (The Black Swan) e Antifrágil: Coisas que se Beneficiam com o Caos (Antifragile: Things That Gain From Disorder), Taleb é conhecido tanto por sua personalidade incendiária quanto por seu brilhante trabalho no campo da teoria da probabilidade.

Quem lê suas colunas frequentes no site Medium se depara com uma mente formidável, a qual não tem nenhuma paciência para com pensamentos de manada, e que tem especial prazer em destruir intelectualmente aquelas elites políticas e econômicas que não sofrem as consequências de suas desastrosas medidas. Taleb se refere a estas pessoas como uma elite que não tem “skin in the game” — ou seja, cuja pele não está em jogo.

A pele em jogo (“skin in the game”) é um princípio central (e muito bem-vindo) na visão de mundo de Taleb: nós somos cada vez mais governados por uma elite intelectual, política, econômica e cultural que não arca com as consequências das decisões que ela toma “em nosso próprio (e involuntário) interesse”.

Neste quesito, Taleb é um populista, no sentido não-pejorativo do termo: ou seja, um indivíduo que sabe exatamente como as pessoas comuns pensam e sentem. Com efeito, ele corretamente identificou tendências que levariam à crise financeira de 2008, ao Brexit e à eleição de Trump. Ele sabe que o globalismo não tem nada a ver com globalização e com o liberalismo. Ele sabe que a cultura e a identidade própria são importantes. E, acima de tudo, ele sabe que as elites não entendem como a aleatoriedade e a incerteza afetam a suposta inevitabilidade de uma ordem global.

Assim, Taleb argumenta que a intelligentsia não apenas é soberba ao querer planejar nosso futuro, como também é completamente ignorante: as fragilidades do arranjo estão por todos os lados, e as elites globalistas não têm como controlá-las e evitá-las. O orgulho arrogante e o excesso de confiança são resultados inevitáveis da proeminência e da riqueza fácil, e isso faz com que tais pessoas fiquem cegas e não vejam o Cisne Negro logo à sua frente.

Nascido no Líbano em uma família importante, educado na Universidade de Paris e na Escola de Administração de Wharton, na Pensilvânia, Taleb tinha tudo para se tornar parte da aristocracia cognitiva que ele tanto desdenha. Mas ele nunca foi um deles. Sua personalidade durona, acentuada por sua dedicação a rigorosos exercícios de levantamento de peso, se torna rapidamente evidente em suas notórias entrevistas e em suas desavenças públicas no Twitter. Sua disposição em estudar profundamente assuntos como religião e história o distancia totalmente dos progressistas e globalistas que gostariam que ambos estes assuntos desaparecessem. Taleb escreve para o leigo inteligente, e sua abordagem volta para o cidadão comum também se estende à sua descrição de si próprio como um “intelectual privado, e não público”.

Libertários e seguidores da Escola Austríaca irão encontrar muito o que admirar nas brilhantes demolições dos “pseudo-especialistas” que Taleb identifica na academia, no jornalismo, na política e na ciência. Mas Taleb não é um austríaco. Embora ele tenha uma visão decididamente crítica e escarnecedora da maioria dos economistas — ele defende que o Nobel de economia seja abolido —, Taleb não condena a maneira como a economia é vista e estudada hoje. Tampouco ele alega ter inclinações heterodoxas ou reacionárias. Eis como ele próprio se define:

“Sou um economista ortodoxo neoclássico tradicional, e não um heterodoxo radical ou qualquer coisa do gênero. Apenas não gosto de modelos duvidosos que utilizam alguma matemática, como regressão, que ignoram padrões estocásticos e obtêm resultados errados. E odeio essa preguiçosa mania de depender mecanicamente de métodos estatísticos ruins. Não gosto de modelos que fragilizam. Não gosto de modelos que funcionam no computador, mas não na realidade. Isso é que é economia padrão.”

Embora Taleb não seja avesso a usar matemática e estatística na economia, austríacos compartilham de sua perspectiva de que ambas são ferramentas para economistas, e não solucionadoras de problemas. Modelos estatísticos são, em sua grande maioria, fraudes que não fornecem nenhum valor real para investidores ou prognosticadores econômicos, não obstante haja um mercado formado por analistas quantitativos altamente bem pagos, formados nas melhores universidades. Com efeito, modelos matemáticos frequentemente geram efeitos nefastos, como o de criar uma falsa sensação de relativa certeza em um arranjo em que é impossível haver alguma certeza.

É sempre revigorante ver alguém como Taleb, um não-austríaco, fazer essa afirmação tão cara à Escola Austríaca e de maneira bastante efetiva, e sem recorrer ao paradigma austríaco da praxeologia.

E, se a visão de Taleb a respeito da economia ainda pode ser considerada um tanto convencional, seu tom é uma mescla de Rothbard e Hayek:

“Sabemos da teoria do caos que, mesmo se você tivesse um modelo perfeito do mundo, você ainda assim necessitaria de uma precisão infinita para prever eventos futuros. Para fenômenos sociopolíticos ou econômicos, isso é absolutamente impossível.”

Taleb ainda vê a necessidade de existir governo, e defende leis de proteção ao consumidor contra “empréstimos predatórios” como um exemplo do que o governo pode fazer. Mas ele aparentemente apoiou Ron Paul nas eleições presidenciais americanas de 2012, e mencionou Hayek e sua teoria do conhecimento disperso pela sociedade como uma grande influência.

Adicionalmente, Taleb também direciona um veneno especial para vários alvos merecedores, como Paul Krugman, Joseph Stiglitz e Paul Samuelson. Taleb criou o termo “Síndrome Stiglitz” para se referir ao fenômeno dos intelectuais públicos que não sofrem nenhuma consequência financeira ou profissional por estarem espetacularmente errados em suas previsões.

Tamanho escárnio se torna especialmente pungente por ser feito pelo homem que corretamente previu as (e, com efeito, se tornou rico em decorrência das) crises econômicas de 1987 e 2008. Em ambos os caos, Taleb tinha sua pele no jogo, pois operava diretamente como trader no mercado financeiro. Seu próprio dinheiro e sua própria reputação estavam em jogo, ao contrário dos economistas que apenas escrevem colunas ideológicas para o The New York Times.

Para uma excelente (embora indireta) análise de como austríacos e libertários podem fazer avançar suas ideias e sua causa mesmo estando em posição minoritária, o recente artigo de Taleb The Most Intolerant Wins: The Dictatorship of the Small Minority é leitura obrigatória. Ele nos relembra que uma pequena minoria corajosa — a mais importante maneira de ter a pele em jogo — pode prevalecer sobre a massa sonolenta e inerte. Ele também nos mostra que são os indivíduos corajosos, e não os 51% da população, que fazem as reais mudanças em todas as sociedades.

Todo o crescimento da sociedade, seja econômico ou moral, sempre advém de um pequeno número de pessoas. Sendo assim, podemos concluir este capítulo com uma observação sobre como ter a “pele em jogo” pode alterar a condição da sociedade. A sociedade não evolui pelo consenso, pelo voto, pela maioria, por comitês, por reuniões prolixas, por conferências acadêmicas, e por pesquisas de opinião; somente algumas poucas pessoas já são o suficiente para alterar o equilíbrio da balança desproporcionalmente. E a assimetria está presente em tudo.

GettyImages-653510546-1-1030x736
Depois de 3 desvios, nada mais importa. 

O ensino tradicional da economia está perdido, atolado na areia movediça dos modelos preditivos incapazes de previr e das análises macro incapazes de analisar. A democracia política está perdida, tendo sido tomada por charlatães, pilantras e ladrões que incentivam a destruição do capital em vez de sua acumulação. E a academia está perdida, ainda presa a modelos antiquados comandados por PhDs. protegidos. Taleb já percebeu tudo isso, e faz um trabalho admirável ao explicar tudo para o leigo inteligente.

Os libertários e seguidores da Escola Austríaca fariam bem em vê-lo como um valoroso aliado e uma voz na infindável luta contra governos, burocracias, bancos centrais, e planejadores todas as estirpes.

Anúncios

A jornada do Juruna – Aporte nº 66

Aporte nº 66, junho de 2019.

Para quem não sabe da história do nosso protagonista, veja aqui.

Aviso: não sou profissional com certificações para indicar investimentos! Todas as informações fornecidas neste site têm o intuito de provocar, de forma simples e didática, a busca por conhecimento para o leitor melhor conduzir a própria vida financeira.

Em 07/06/2019, o patrimônio de Juruna estava composto nas seguintes quantidades:

Sem título

Dinheiro novo em Mai/19:

  • Aporte: R$ 2.000,00;
  • Proventos referentes a Maio/19: R$ 468,18;
  • Total a ser investido em Junho/2019: R$ 2.468,18.

Respeitando o limite imposto na estrutura do patrimônio, Juruna aportou em renda variável, adquirindo 327 ações de GRND3 (menor participação em relação às demais empresas) no preço máximo do pregão de 07/06/2019 (R$ 7,53).

Obs: CIEL3 foi posta em quarentena.

Para quem quiser verificar a evolução do patrimônio de Juruna desde jan/2014, segue o link para o download da planilha: Carteira-do-Juruna-Jun-2019.

Sem título
Visão geral do portifólio do Juruna em jun/2019
Sem título
Diversificação na renda variável
Sem título
Patrimônio do Juruna após o aporte de Jun/2019

Rumo ao término do 1º semestre!

Ps: maio passou e Juruna não percebeu.

Porque seus aportes são mais importantes do que o retorno de seus investimentos ?

Direito de autoria do Blog AA40.

Naturalmente nós investidores queremos investir em ativos com o melhor desempenho possível e os custos mais baixos também, mas o segredo para a construção de riqueza tem muito mais a ver com quanto você consegue poupar e investir do que que sua taxa de retorno dos investimentos e hoje iremos tentar provar isto.

Para quem está iniciando ou está no meio da jornada, a quantidade de dinheiro que você aporta na sua carteira é muito mais importante do que os fundos e instrumentos de investimento em que o dinheiro está aplicado, e a primeira razão disto é que você pode controlar muito bem quanto economizar, mas o retorno da sua carteira é muito mais difícil de controlar. Além disso, podemos provar isso matematicamente:

Para ilustrar isso, vamos imaginar duas pessoas. Os dois ganham 5 mil reais por mês líquido de impostos. A pessoa “A” consegue poupar apenas 5% dessa renda, ou seja, R$ 250 por mês. A pessoa “B” já consegue poupar 50% desta renda, ou seja, R$ 2500 por mês.

Vamos supor que B invista apenas na poupança e gere apenas 1% de retorno real por ano, já a pessoa A, que investe apenas 5% do rendimento, invista só em renda variável e que, tudo correu espetacularmente bem e obteve uma taxa de retorno real líquida de 16% ao ano.

Qual será o valor final da carteira dos dois depois de 20 anos? Veja abaixo:

Sem título.png

Observando os dois valores em vermelho percebe-se, por incrível que pareça, que aquele investidor (B) que apenas aportou na poupança e conseguiu míseros 1% ao ano de rendimento real possui mais de 200 mil reais a mais do que a pessoa A que apenas aportou 5% do salário mas obteve rendimento real de 16% a.a. (vamos aqui desconsiderar o risco inerente a este perfil do investidor A que é muito alto).

Embora este exemplo ilustre casos otimistas e pessimistas extremos, fica claro que a taxa de poupança é muito mais importante do que a taxa de retorno de um investimento e é onde nosso foco deve estar, pelo menos no início da acumulação de patrimônio.

Um estudo de Rick Ferri publicado em 2011 demonstra que, tomando duas pessoas que trabalham no mesmo emprego estável com exatamente o mesmo salário. Um economiza 5% e ganha 10% de retorno anual. O outro economiza 10% do salário e ganha 5% de retornos anuais. Demora mais de 25 anos para aquela pessoa com retorno de 10% a.a. passar a frente da pessoa que aporta o dobro:

20190524_222439

O Ideal

Claro que, idealmente, a taxa de poupança e também a taxa de retorno devem ser maximizadas para melhores resultados, como se observa na tabela, porém, para um retorno médio com risco bem moderado de 6%a.a, a diferença entre poupar 5% e 50% é você ter apenas 100 mil ou mais de 1,15 milhão de reais daqui a 20 anos.

Mais importante que o valor é o fato que, este valor de mais de 1 milhão de reais poderá facilmente gerar renda passiva para cobrir os 50% de gastos da pessoa B ao passo que a pessoa A que economizou apenas 5% da renda, os 115 mil reais não gerarão nunca a renda passiva necessária para cobrir os 95% do salário de gastos recorrentes (a valor presente).

Conclusão

De longe a taxa de poupança tem um impacto muito maior no tempo para atingir a independência financeira, sendo até mesmo mais importante que o retorno obtido nos investimentos.

Para o investidor iniciante com poucos recursos a taxa de poupança tem um papel absoluto no seu sucesso ao longo prazo ao passo que o retorno sobre investimento tem muito mais impacto para o investidor já com um grande capital acumulado. Pense que: Supondo um rendimento de 10% ao ano sobre um montante de R$ 1.000 serão apenas 100 reais. Isto você gasta em um jantar em uma noite. Já 10%a.a. sobre 2 milhões de reais são 200 mil reais, que pode ser dinheiro suficiente para realizar muitos sonhos ou cobrir despesas de um ano todo, dependendo da pessoa. Segue um norte para avaliar se é melhor focar na taxa de poupança ou no retorno dos investimentos:

Devo focar mais em poupar mais ou investir melhor?

Para responder isso, calcule o seguinte:

A- Quanto pretende investir este ano em reais;
B- Quanto seu portfólio te retornará bruto este ano em reais.

C=A/B

-Divida A por B. Se C for maior que 1 foque nos aportes; se o resultado for menor que 1, foque em investir melhor.

Basicamente este cálculo determina se o retorno estimado do seu portfólio no ano for maior do que os aportes que pretende fazer. Se isto for verdadeiro, você já deve focar menos nos aportes e mais em investir melhor, porém, nunca esquecer dos aportes constantes até atingir seu objetivo final, a independência financeira.

#paz

Sobre a arte de falar e não dizer nada

Sobre o tema explicitado no título, é de grande importância nos dias atuais saber expressar-se de forma coesa e unívoca, para que eventuais disgressões não atrapalhem o entendimento do leitor/receptor da informação transmitida. O assunto em questão já obteve muitos estudos complexos, os quais norteiam um melhor entendimento da forma de palestrar, facilitando assim o processo de aprendizado. Por outro lado, a análise de diversos resultados alimenta a percepção da urgência de saber agir na arte de transmitir conhecimento.

Complicado. Um parágrafo inteiro perdido, que poderia ser resumido em uma só frase, ou melhor, nem ter sido feito. Agora é valendo: esse artigo tem a intenção alertar a todos sobre o perigo  de ser prolixo. Ficar divagando, dando voltas em argumentos sem base ao invés de ser direto, simples e coeso por vezes desqualifica o emissor da mensagem. Isso quando o receptor está prestando atenção em algo. Na maioria das vezes, o texto/palestra enfadonha torna o leitor/expectador passivo, lendo/ouvindo sem ver/escutar. E, por incrível que pareça, os maiores produtores de conteúdo nesta arte milenar são os nossos grandes amigos coaches.

Nos próximos tópicos, darei um passo-a-passo de como ser um mestre na arte de provocar o “modo avião” nos receptores das informações, e também um tutorial de como atuar no coaching. Muita atenção aos tópicos abaixo:

Se contradiga: diga palavras com sentidos opostos ou incompatíveis e, de forma enigmática, combine-as numa óbvia contradição. Exemplos: “A sanidade é apenas mais uma forma de loucura”. “A vida é frequentemente uma forma de morte”. “O ordinário é extraordinário”. Essas sentenças são absolutamente impenetráveis e podem facilmente parecer profundas. Se você é um aspirante a coach da verdade, por que não produzir seus próprios comentários contraditórios? Eles fazem com que a audiência faça o trabalho por você. O significado não é algo que você dirá. Seus seguidores é que terão a tarefa de decifrar. Apenas sente-se, adote uma postura sábia e deixe-os fazer o trabalho mental.

 Vantagens das contradições: uma série de afirmações simples e não ambíguas é fácil de refutar, ao passo que não é tão fácil fazer o mesmo com tais afirmações enigmáticas. Assim, se você pensa em iniciar sua própria religião e quer dizer coisas que parecerão profundas e também invulneráveis à crítica, tente fazer afirmações contraditórias. Afirme, mas então negue. Por exemplo, diga que seu deus é – e, no entanto, não é. Que seu deus é tudo e nada. Que ele é um, mas ao mesmo tempo vários.

Use jargões: Se você é um coach do empreendorismo, coach instrutor, consultor de estilo de vida, introduzir algum jargão pode incrementar ainda mais a ilusão de profundidade. Aqui vai um truque comum: invente algumas palavras que parecem ter significado similar ao de certos termos bem conhecidos, mas que deles difiram de uma maneira nunca completamente explicada. Por exemplo, não fale sobre as pessoas serem felizes ou tristes; fale sobre elas terem predisposições positivas ou negativas.

O próximo passo é traduzir algumas crenças para seu novo vocabulário. Pegue a observação banal de que pessoas felizes tendem a fazer as outras pessoas mais felizes. Ela pode ser remodelada como “predisposições positivas têm alto poder de transferência”. É também útil adotar o vocabulário de “forças”, “energias”, “equilíbrios” e “vibrações”. O uso dessas palavras irá sugerir que você descobriu algum poder profundo que pode ser aproveitado e usado pelas outras pessoas. Isso fará com que seja bem mais fácil persuadi-las de que elas podem perder algo de realmente importante caso não compareçam a um de suas palestras. Assim, se você é um coach empreendedor, tente fazer seminários sobre o “Aproveitamento das Predisposições Positivas dentro do Varejo”. E se algum espertinho for corajoso o suficiente para levantar a mão e perguntar o que exatamente é uma “predisposição positiva”, defina utilizando mais jargão. Fazendo isso, você jamais terá de realmente explicar o significado da sua conversa fiada.

Além disso, as várias crenças embutidas no seu jargão irão gerar a ilusão de que você realmente tem algo a dizer, mesmo que audiência não faça muita ideia do que seja – o que é uma boa forma de deixá-la com mais vontade de ouvi-lo. Adicionar algum jargão ou referência científica pode ser particularmente útil ao seu papo furado porque essas coisas emulam autoridade e substância. Referências à mecânica quântica são particularmente populares entre os vendedores de conversa fiada pseudocientífica. Uma vez que se espera que ela faça afirmações um tanto estranhas e difíceis de entender, é uma boa ideia abusar das referências em favor das bizarrices que você tem a dizer. As pessoas pensarão que você deve ser muito inteligente e sequer perceberão que você é um tapeador. Se você for ambicioso, pode ser uma boa ideia inventar uma palestra com o título “Predisposições Positivas e Mecânica Quântica”. Se tiver alguma dúvida em como iniciar o trabalho, deixo uma tabela com milhares de combinações de mensagens impactantes, porém sem significado.

20190524_222439 (1)

Espero que esse breve artigo possa ajudá-lo a detectar com mais eficácia os mestres na arte de falar e dizer nada (pseudoprodundidade). Mas e se você estiver no papel de receptor de tais tolices, como responder? Qual a melhor forma de revelar a pseudoprofundidade pelo que ela é? O maior inimigo da pseudoprofundidade é a clareza. Um dos modos mais eficazes de desarmá-la é traduzi-la em português corrente. Diga “certo, você está dizendo que…” e anote em prosa clara e sem ambiguidades o que realmente se quer dizer. Esse exercício de tradução revelará que o que foi dito pode ser uma das seguintes três coisas: (1) uma falsidade óbvia, (2) maluquice, ou (3) uma crença. Mas combater a pseudoprofundidade raramente é assim tão fácil. Aqueles que a despejam sobre os outros muitas vezes estão até certo ponto cientes que é provável que a clareza os desmascare e, assim, provavelmente resistirão às suas tentativas de reformular o que eles pretendem dizer em termos claros e não ambíguos. É quase certo que eles irão acusá-lo de estar entendendo as coisas de forma rude. Obviamente, eles não irão explicar claramente o que querem dizer: somente enrolarão você mudando de assunto, levantando cortinas de fumaça, acusando-o de não entender outras coisas mais, e assim por diante. Por essa razão, desmascarar a pseudoprofundidade muitas vezes requer tempo e paciência.

Sarcasmo e sátira podem ter um papel a desempenhar. O riso pode quebrar o feitiço que a pseudoprofundidade lança sobre nós. Uma pequena sátira pode ajudar-nos a reconhecer que fomos enganados por alguém que diz pouco mais do que crenças, falsidades ou maluquices travestidas de pensamento profundo. Eis aí a razão pela qual os mestres da pseudoprofundidade com frequência se opõem à sátira e ao escárnio, ficando ofendidos com tais coisas. No entanto, há um cuidado importante que devemos ter quanto ao uso do humor. Obviamente, qualquer crença pode ser ridicularizada. Não estou sugerindo que a piada deve substituir a crítica clara e rigorosa do tipo que eu procurei oferecer aqui. Ninguém deve ser incentivado a abandonar uma crença só porque as pessoas riem dela. Mas por causa da habilidade de ajudar a quebrar o feitiço que a pseudoprofundidade lança sobre suas vítimas, permitindo que vejamos por um momento ou outro que fomos crédulos ou tolos, um pouco de escárnio pode muito bem ser parte de uma resposta. Uma boa piada pode ser útil e legítima, se for merecida.

Considerações Finais

É preciso muita cautela no uso dessa poderosa ferramenta que pode te transformar num ídolo ou num ser humano indesejável em qualquer ambiente. A informação há de ser passada de forma coesa resumida, facilitando o entendimento do receptor. Muita atenção aos senhores da verdade, nossos amigos coaches. Em sua maioria, são mestres em gerar lero lero, com obviedades e vocabulários rebuscados. Dessa forma, seja mais assertivo nos argumentos, seja direto e evite disgressões. Quando falar, FALE!

Abraços do pracinha =)

Você trocaria um aumento de até 30% em seu salário pela manutenção da previdência social?

Direito de autoria do site Mises Brasil.

Uma pergunta: você, empregado com carteira assinada, trocaria um aumento de uns 20% a 30% em seu salário, hoje, por uma promessa, feita por políticos, de que você irá receber algum dinheiro daqui a 20, 30, 40 anos?

Se você defende a previdência social, então, por definição, a sua resposta a essa pergunta deveria ser positiva, sem titubear. “Sim, senhores políticos, troco! Fiquem à vontade para levar até quase um terço do que eu ganho. Pela previdência, vale a pena!”

À primeira vista, defender a previdência social pode não parecer o mesmo que abrir mão de um aumento imediato de 20% a 30%. Mas é.

O seu próprio comprovante de pagamento, ao fim do mês, traz um desconto que certamente você já notou (caso seja minimamente atento). Esse desconto pode chegar a 11% do seu salário, o que não é pouca coisa. Essa é a fatia que você paga compulsoriamente ao INSS (embora tal pagamento seja eufemisticamente chamado de “contribuição”).

Adicionalmente, há outro custo da previdência social que equivale a outros 20% do seu salário. No entanto, tal custo não aparece descontado em seu comprovante de pagamento; ele fica escondido na contabilidade do empregador. Pior: a cortina de fumaça contábil faz parecer que esses 20% adicionais são pagos ao INSS pelo “patrão”, e não por você, assalariado.

Ledo engano.

Na aparência, as coisas são assim: o assalariado paga ao INSS de 8 a 11% do seu salário bruto. Já o patrão paga, também ao INSS, mais 20% sobre esse mesmo salário bruto. E muitos acreditam que esses 20% são um custo exclusivo do patrão, não sendo arcados pelo assalariado.

Mas eis o que realmente ocorre.

1) Você é meu empregado. Eu lhe pago R$ 1.000 de salário bruto mais R$ 200 de contribuição patronal ao INSS (e mais R$ 80 de FGTS, mas deixemos isso de lado).

2) Isso significa que você, para me ser útil, tem de produzir no mínimo R$ 1.200 (o valor correto seria R$ 1.280 por causa dos R$ 80 do FGTS, mas, de novo, vamos ignorá-lo para simplificar o debate).

3) Esse é o seu custo para mim: R$ 1.200 (estou também desconsiderando vários outros encargos, apenas para facilitar o raciocínio).

4) Se você não criar valor de pelo menos R$ 1.200 para mim, não irei lhe contratar. Logo, esses R$ 1.200 (salário bruto de R$ 1.000 mais R$ 200 de INSS) são um dinheiro que poderia ir perfeitamente para você. Afinal, esse é o valor que você me custa.

5) É óbvio que esses R$ 200 dados ao INSS saíram do seu salário. Trata-se do seu custo para mim. Se eu, o patrão, estou arcando com ele é porque você, o assalariado, está produzindo esse valor. É exatamente da sua produção como empregado que saem esses R$ 200. Você, como empregado, não ganhou nada a mais. (E, não fosse essa alíquota de 20%, você poderia ter esses R$ 200 acrescidos ao seu salário.)

Ou seja, muita gente acredita que esse pagamento de 20% ao INSS “sai do lucro” do empregador, e não do salário dos empregados. Chegam a rotular todo esse esquema de “conquista social”, como se fosse uma “vitória” dos trabalhadores sobre empregadores, finalmente forçados a temperar sua “ganância”, a reduzir seus ganhos e a fazer “contribuições patronais” para a aposentadoria de seus empregados. Doce ilusão.

Como o empreendedorismo e a geração de empregos são afetados

Eis um exemplo prático.

João economizou R$ 100 mil e resolveu ganhar um dinheiro extra, sem deixar o seu emprego principal. Ele sabe que investindo os R$ 100 mil no mercado de capitais, livre de grandes riscos e com quase nenhum esforço pessoal, conseguiria ganhar R$ 500 por mês.

Logo, não vale a pena se arriscar e se esforçar para ganhar menos que isso. Esse é um ponto chave. Há um lucro mínimo abaixo do qual empreendimentos se tornam inviáveis por não oferecerem retorno compatível com alternativas de investimento disponíveis no mercado. Sem esse mínimo de lucro, João desistirá da empreitada. Literalmente, partirá para outra.

Com isso em mente, João resolve avaliar o seguinte plano de investimento: comprar um bom automóvel, se filiar a um aplicativo de mobilidade urbana e contratar um motorista profissional para dirigir o carro. Repare, ele não quer ser motorista de aplicativo, mas sim o capitalista que financia tudo isso.

Ato contínuo, os R$ 100 mil serão investidos na compra e licenciamento do carro e na aquisição de um smartphone. As corridas geradas pelo aplicativo têm o potencial de proporcionar um faturamento médio de R$ 5.000 por mês. As despesas com impostos, seguro, combustível, plano de dados, depreciação e manutenção do carro, lavagem, água mineral, balinhas etc. devem totalizar cerca de R$ 3.000 mensais. Se o lucro mínimo pelo qual João está disposto a seguir com a realização do plano é de R$ 500 por mês, sobram R$ 1.500 para pagar o motorista.

Eis a contabilidade:

Faturamento: R$ 5.000
(-) Despesas: R$ 3.000
(-) Lucro mínimo esperado: R$ 500
(=) Pagamento máximo ao motorista: 1.500

Não há mágica possível. Se um motorista custar mais do que R$ 1.500 por mês, João desistirá do plano. Preferirá aplicar o dinheiro em outra das alternativas mais lucrativas que estão disponíveis.

Agora digamos que João, esse empreendedor da mobilidade urbana, encontre um candidato qualificado, experiente e bem recomendado, disposto a dirigir o carro. Ao fazer uma proposta de trabalho, no entanto, João é surpreendido com a seguinte informação: o candidato a motorista dispõe de uma sentença judicial que obriga seus eventuais empregadores a pagar pensão de alimentos para seus filhos, no valor de R$ 300 por mês, em adição ao salário contratado, sem descontar da remuneração.

A pensão de alimentos, segundo detalha essa hipotética sentença judicial, deverá ser registrada na contabilidade de João, como despesa deste. Não pode constar como desconto no comprovante de pagamentos do empregado.

Restarão então a João duas alternativas: propor ao motorista um salário de R$ 1.200 ou desistir de contratá-lo, assim conservando mais um desempregado no mercado.

Caso o candidato aceite a proposta de R$ 1.200, estará pagando integralmente a pensão de alimentos dos filhos, na forma de um salário R$300 menor que o empresário estava disposto a pagar, ainda que o desconto correspondente não conste de seu demonstrativo de pagamento mensal, mas sim da contabilidade de João.

O artifício contábil, no entanto, possivelmente fará com que tanto o juiz quanto (e ironicamente) o próprio empregado comemorem ter sido lograda uma “conquista social”, na crença infundada de que o custo da pensão de alimentos foi assumido integralmente por João.

Uma objeção ao raciocínio aqui exposto, digna de exame, é a seguinte: mas e se o empreendedor tiver disponível para gastar com mão de obra bem mais do que o valor de mercado da remuneração do empregado? Digamos que o faturamento mensal hipotético gerado pelas corridas do aplicativo fosse 20% maior que o inicialmente considerado, chegando a R$ 6.000, mas que os custos fossem os mesmos:

Faturamento: R$ 5.000 6.000
(-) Despesas: R$ 3.000
(-) Lucro mínimo esperado: R$ 500
(=) Pagamento máximo ao motorista: R$ 1.500 2.500

Nesse caso, uma regra que force o patrão a pagar um “extra” em cima do salário contratado não estaria, de fato, transferindo parte do lucro para o trabalhador? Sim, é possível. No entanto, em uma economia de livre mercado, uma situação de lucros anormalmente altos como o indicado acima não se sustentaria por um período prolongado de tempo.

A concorrência entre os aplicativos para servir aos clientes faria com que eles abaixassem os preços das corridas até que os ganhos se normalizassem em torno do retorno mínimo exigido pelos investidores.

Inversa e simultaneamente, o potencial de altos lucros acirraria a competição para comprar carros, contratar motoristas etc., fazendo subir o custo total, o que também forçaria os ganhos a retornarem ao normal.

Esse é outro ponto chave: lucros “anormais”, “abusivos”, “predatórios”, se eliminam com livre concorrência. Não com legislação trabalhista.

Uma vez que os lucros sejam normalizados, voltando aos R$ 500 mensais do nosso exemplo hipotético, o trabalhador estará fatalmente pagando a totalidade do custo da sua “conquista social”. Não tem escapatória. Quem sempre arca com a imposição de um custo artificial, extra-mercado, é o empregado.

Entendido tudo isso, voltemos à previdência.

Você aceita?

Aqueles 20% de “contribuição” que seu patrão faz ao INSS — mas você não vê, pois o valor está disfarçado como despesa na contabilidade do patrão, em vez de claramente destacado no seu comprovante de pagamento — são equivalentes à nossa pensão de alimentos fictícia: quem paga, integralmente, é você mesmo, em adição ao desconto demonstrado no seu comprovante.

Não se deixe enganar pelo jogo de espelhos da contabilidade. O total da conta que você paga pela previdência pode chegar a mais de 30% do seu salário: os 20% do patrão mais o 11% descontados do seu salário.

A experiência no Chile ilustra bem esse fenômeno. A privatização da seguridade social levada a cabo pelo governo daquele país entre os anos de 1981 e 1982 resultou em uma queda nos encargos médios sobre a folha de pagamento dos trabalhadores do setor de manufatura de 30% para 8,5%, no mesmo período. Este estudo concluiu que a redução nos encargos parece ter sido integralmente repassada aos trabalhadores por meio de aumentos salariais, sem afetar de maneira significativa o nível de emprego.

Em troca de sacrificar até quase um terço de tudo o que você produz, o que você ganha? Tão somente uma promessa, feita pelos políticos de hoje, de que, daqui a algumas décadas, os políticos do futuro honrarão o combinado e tomarão dinheiro à força dos seus filhos e netos — e também dos filhos e netos dos seus familiares e amigos, e dos demais contemporâneos deles — para entregar a você.

E, obviamente, todo este valor prometido virá descontado, pois é necessário garantir os proventos dos próprios políticos e burocratas, pois ninguém irá fazer esse trabalho sujo de graça, certo?

Logo, a pergunta é simples e direta: esse arranjo tem credibilidade? É justo, com você mesmo e com os trabalhadores do futuro? Vale a pena?

A jornada do Juruna – Aporte nº 65

Aporte nº 65, maio de 2019.

Para quem não sabe da história do nosso protagonista, veja aqui.

Aviso: não sou profissional com certificações para indicar investimentos! Todas as informações fornecidas neste site têm o intuito de provocar, de forma simples e didática, a busca por conhecimento para o leitor melhor conduzir a própria vida financeira.

Em 10/05/2019, o patrimônio de Juruna estava composto nas seguintes quantidades:

Sem título

Dinheiro novo em Mai/19:

  • Aporte: R$ 3.000,00 (recebimento de férias remuneradas);
  • Proventos referentes a Mar/19: R$ 357,97;
  • Total a ser investido em Mar/2019: R$ 3.357,97.

Eventos acionários em Abr/Mai 2019:

  • Desdobramento de UGPA3 (1 para 2);
  • Bonificação de EZTC3 (21,21%);
  • Bonificação de LREN3 (10%).

Respeitando o limite imposto na estrutura do patrimônio, Juruna aportou em renda variável, adquirindo 165 ações de FLRY3 (menor participação em relação às demais empresas) no preço máximo do pregão de 10/05/2019 (R$ 20,35).

Para quem quiser verificar a evolução do patrimônio de Juruna desde jan/2014, segue o link para o download da planilha: Carteira-do-Juruna-Mai-2019

Sem título.png
Visão geral do portifólio do Juruna em mai/2019
Sem título
Diversificação na renda variável
Sem título
Patrimônio do Juruna após o aporte de Mai/2019

Sigamos em frente!

Teoria de Markowitz (teoria da carteira) e a fronteira eficiente

Direito de autoria do site WRPrates.

A teoria de Markowitz, conhecida também como teoria da carteira ou teoria do portfólio, teve como grande diferencial apresentar o conceito de fronteira eficiente.

A teoria do portfólio mostra que o risco de uma carteira não é dado simplesmente pela média do risco dos ativos individuais, pois é preciso considerar a correlação existente entre os ativos. Sendo assim, pode-se dizer que a “palavra-chave” que permeia a teoria de Markowitz é o conceito de diversificação, com o intuito de reduzir o risco da carteira.

Quem é Harry Markowitz?

Harry Markowitz concluiu seu doutorado em economia pela Universidade de Chicago no ano de 1954, é autor de inúmeros livros e artigos científicos. Foi laureado, em 1990, com o prêmio Nobel de Economia, devido a sua contribuição na análise de risco e retorno de ativos financeiros.

Pode-se dizer que Harry Markowitz formalizou matematicamente a máxima de “não colocar todos os ovos em uma única cesta” para o contexto financeiro. Ele afirma que deve-se levar em conta a diversificação do risco na construção de portfólios, e que é possível construir uma série de portfólios, nos mais variados níveis de retorno exigidos, que sejam otimizados para a redução do risco.

A seguir serão mostrados mais detalhes a respeito de como a teoria de Markowitz trabalha cada um desses pontos: risco da carteira, minimização do risco, fronteira eficiente, etc.

A teoria de Markowitz (teoria da carteira)

Assaf Neto (2007) explica que a teoria de Markowitz faz parte do processo de avaliação de carteiras de investimentos, o qual envolve três grandes fases:

(i) a análise dos títulos, que trabalha com os fundamentos da avaliação de ativos, em que costuma-se encontrar o valor intrínseco de um título por descontar os fluxos futuros a uma taxa de atratividade;

(ii) a análise de carteiras, que envolve projeções de retorno esperado e do risco de um conjunto de ativos;

(iii) e a seleção de carteiras, que por sinal é o título do artigo de Markowitz (1952) – portflio selection–, estuda a melhor combinação possível dos ativos analisados e sugere uma alocação de ativos dentro de uma carteira que maximize a satisfação do investidor. Na teoria de Markowitz essa satisfação é definida com base no que seria um “investidor racional”, que busca que seu risco seja mínimo para um dado nível de retorno.

Risco de uma carteira

Na época – em torno de 1952, quando o artigo “Portfolio selection” foi publicado – o risco de um ativo financeiro era medido pelo seu desvio-padrão. Ainda hoje, apesar de existirem diversas outras métricas, o desvio-padrão ainda é utilizado.

Nesse sentido, um dos principais pontos levantados na teoria de Markowitz é que o risco de um ativo medido isoladamente torna-se diferente quando esse ativo é incluído em uma carteira.

Em palavras do dia a dia, não se pode calcular o desvio-padrão de uma carteira simplesmente somando ou obtendo a média dos desvios de cada ativo isoladamente.

Isso ocorre porque há correlação entre as movimentações de diversos ativos financeiros. Para propor uma maneira de mensurar o risco de uma carteira foi que surgiu a teoria de Markowitz, a qual traz a equação do risco (desvio-padrão) de uma carteira de dois ativos (A e B) como sendo a seguinte:

1_1FmC6ZkNyUNUWdt8M1TYpg

Veja agora que a carteira fosse composta por 3 ativos, a equação ficaria assim:

1_1FmC6ZkNyUNUWdt8M1TYpg

Sendo que σp é o risco, ou desvio-padrão da carteira; w é o peso do ativo na carteira, ou seja, a participação percentual em relação ao total da carteira; σ2 é a variância de dado ativo e COVA,B é a covariância do ativo A com o ativo B.

Diversificação: a grande vantagem de utilizar estes cálculos!

A teoria de Markowitz mostrou que na medida em que o investidor diversifica sua carteira, escolhendo ativos com correlação negativa, ele consegue reduzir, ou até eliminar (pelo menos na teoria) o risco diversificável (risco não sistemático).

A razão pela qual a diversificação melhora a relação risco e retorno é que, na medida em que novos ativos são adicionados a uma carteira de investimentos, o risco total, medido pelo desvio-padrão da carteira apresentado anteriormente, é reduzido; já o retorno da carteira é determinado pela média ponderada dos retornos dos ativos individuais.

O risco diversificável (não sistemático) e risco não diversificável (sistemático)

O risco diversificável é aquele que pode ser eliminado por meio da diversificação da carteira. Já o risco não diversificável é decorrente de questões sistêmicas, como o nome fala, e refere-se a problemas macroeconômicos, desastres naturais, crise financeira, alta da inflação, entre outros.

A figura a seguir exemplifica bem como fica o risco da carteira em relação ao número de ativos que a compõem.

1_1FmC6ZkNyUNUWdt8M1TYpg

 

O princípio da dominância

O princípio da dominância afirma que o investidor racional prefere o investimento que proporcione o maior retorno esperado para o mesmo nível de risco; ou menor risco para o mesmo retorno esperado.

Observe a figura:

1_1FmC6ZkNyUNUWdt8M1TYpg

Com base nesse princípio, na figura acima é possível obter as seguintes conclusões:

  • o ativo 2 domina o 1;
  • o ativo 4 domina o 3;
  • o ativo 2 domina o 3;
  • Contudo, nada pode-se dizer sobre o ativo 2 e o 4 e nem sobre o 1 e o 3! A escolha de um desses ativos dependerá do nível de aversão ao risco do investidor!

A carteira de mínima variância e a fronteira eficiente

Ao aplicarmos o princípio da dominância para todas as combinações possíveis de carteiras, chegamos a um dos pontos principais da teoria do portfolio de Markowitz: a “Carteira de Mínima Variância” (CMV).

O processo para encontrar a carteira de mínima variância (CMV) se resume em encontrar o portfólio ótimo através de um ponto de mínimo (derivada). Este portfólio será o de menor desvio-padrão dentre todas as combinações possíveis.

A partir da CMV, se fizermos um ponto em todas as combinações de ativos que possuem o menor nível de risco (desvio-padrão) para qualquer retorno superior ao da CMV, obteremos a “fronteira eficiente de Markowitz“.

Tanto a carteira de mínima variância, quanto a fronteira eficiente, são expressas no gráfico a seguir:

1_1FmC6ZkNyUNUWdt8M1TYpg

Conclusão

A teoria de Markowitz foi um marco histórico na literatura de finanças. O Capital Asset Pricing Model, entre outros modelos de apreçamento de ativos e diversas outras teorias emergiram baseadas nos pressupostos da teoria da carteira de Markowitz de que o investidor é racional e busca sempre reduzir o risco para um dado nível de retorno.

Posteriormente, com o advento das finanças comportamentais, percebeu-se que na verdade os investidores são sujeitos a heurísticas e vieses cognitivos que interferem o processo de tomada de decisão.

Para leitores mais interessados, Shefrin e Statman (2000), ícones das finanças comportamentais, desenvolveram a chamada “teoria comportamental da carteira”, que justamente traz aspectos psicológicos da tomada de decisão para um contexto de avaliação de ativos e análise de risco e retorno.

Referências

Assaf, N. A. (2007). Mercado financeiro. São Paulo: Editora Atlas.

Markowitz, H. (1952). Portfolio selection. The Journal of Finance, 7(1), 77–91.

Shefrin, H., & Statman, M. (2000). Behavioral portfolio theory. Journal of Financial and Quantitative Analysis, 35(2), 127–151.