A jornada do Juruna – Aporte nº 71

Aporte nº 71, novembro de 2019.

Para quem não sabe da história do nosso protagonista, veja aqui.

Aviso: não sou profissional com certificações para indicar investimentos! Todas as informações fornecidas neste site têm o intuito de provocar, de forma simples e didática, a busca por conhecimento para o leitor melhor conduzir a própria vida financeira.

Em 08/11/2019, o patrimônio de Juruna estava composto nas seguintes quantidades:

Sem títuloDinheiro novo em Nov/19:

  • Aporte: R$ 2.000,00;
  • Proventos referentes a Outubro/2019: R$ 481,54;
  • Total a ser investido em Novembro/2019: R$ 2.481,54.

Respeitando o limite imposto na estrutura do patrimônio, Juruna aportou em renda variável, adquirindo 247 ações de COGN3 ao preço máximo do pregão do dia  08/11/2019 (R$ 10,02).

Para quem quiser verificar a evolução do patrimônio de Juruna desde jan/2014, segue o link para o download da planilha:Carteira-do-Juruna-nov-2019

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Visão geral do portifólio do Juruna em Nov-2019
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Diversificação na renda variável
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Patrimônio do Juruna após o aporte de novembro/19

E o Lula? E o PT?

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Compartilhando conhecimento #1

Pessoal, farei mais uma série de posts e a fixarei na aba superior, o Compartilhando Conhecimento.

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A ideia aqui é disponibilizar os materiais que produzo em aulas, palestras, no sentido de colaborar ainda mais com a difusão de conhecimento neste espaço.

Palestra sobre análise de investimentos e cenário econômico. Link para download aqui.

Fonte dos dados sobre o ambiente econômico: ABIMEC Itaú.

Abração.

Questão de lógica: você não teme a automação (e nem a reforma da previdência); você teme a inflação

Direito de autoria do site MisesBrasil.

Um temor bastante recorrente na atualidade é o de que um eventual aumento na automação causará desemprego em massa e, consequentemente, a situação financeira futura das pessoas será pior.

Sejamos claros e diretos: não é a automação o que assusta as pessoas, mas sim a inflação — isto é, a perda do poder de compra da moeda.

Isso pode parecer estranho à primeira vista, mas a realidade é que a promessa de um futuro bastante automatizado — com as máquinas substituindo grande parte do esforço físico humano — só pode ser vista como uma ameaça porque as atuais moedas mundiais são fundamentalmente inflacionárias.

Como era antes e como é hoje

Até o início do século XX, quando o mundo utilizava o ouro como moeda, os preços de bens e serviços caíam ano após ano: por exemplo, de 1814 a 1913, nos EUA, os preços caíram em média 0,58% ao ano, o que significa que algo que custava $100 em 1814 passou a custar $56 em 1913, ano da criação do Federal Reserve. Neste mesmo período, o PIB real cresceu 4% ao ano (de $14,43 bilhões para $680 bilhões).

No Reino Unido, similarmente, no mesmo período, os preços caíram 0,34% ao ano, e o PIB real cresceu 2,12% ao ano.

Hoje, infelizmente, a realidade é inversa: os preços aumentam ano após ano, e o crescimento econômico se tornou, na melhor das hipóteses, intermitente.

Ou seja, já incorporamos a ideia de que, no futuro, o poder de compra de cada unidade monetária será inevitavelmente menor do que é hoje. E é aí que residem nossos temores.

No mundo atual, quem simplesmente trabalha e poupa verá o poder de compra do seu dinheiro guardado diminuir ao longo do tempo. Mas este não é o estado natural das coisas, como hoje pressupomos. Trata-se de um fenômeno que foi artificialmente criado. A razão pela qual os preços tendem a aumentar é que o dinheiro perde seu poder de compra em decorrência de medidas criadas por políticos e burocratas.

Apenas pergunte a si próprio: mais inovações, concorrência e competição não deveriam significar, por definição, que estamos nos tornando mais produtivos e, consequentemente, capazes de obter os mesmos benefícios (bens e serviços) por custos menores? Isso é exatamente o que ocorre em algumas indústrias de alta tecnologia (smartphones, tablets, notebooks, televisões etc.). Onde há um genuíno livre mercado, com empresas privadas produzindo e concorrendo entre si em busca de consumidores, os preços caem.

O motivo por que a quantidade de dinheiro necessária para comprar um item aumenta é simplesmente porque a quantidade de dinheiro em circulação está aumentando a um ritmo maior do que o aumento da produtividade. Os preços sobem porque o sistema bancário, em conjunto com os bancos centrais controlados pelos governos, está continuamente criando dinheiro. Os preços dos bens e serviços simplesmente se ajustam a este dinheiro adicional em circulação.

Em outras palavras, os sistemas de metas de inflação implantados pelos bancos centrais nada mais são do que metas de se criar dinheiro a uma taxa que supere os ganhos de produtividade. Exemplo: se um Banco Central diz que sua meta de inflação é de 4%, seu objetivo é criar dinheiro a uma taxa que supere os ganhos de produtividade em quatro pontos percentuais a cada ano.

E uma taxa de aumento de preços de 4% ao ano significa que, daqui a 30 anos, os preços estarão, em média, 3,25 vezes maiores. Ou seja, um indivíduo terá de ter uma renda nominal 3,25 vezes maior (terá de mais do que triplicar seu salário) apenas para manter seu padrão de vida.

Consequências

E o que isso significa para a automação?

A inflação faz com que seja imensamente difícil para o cidadão comum poupar dinheiro visando à aposentadoria. Praticamente impossibilita o objetivo de acumular fundos que durem para o resto da vida. Praticamente impossibilita o objetivo de utilizar essa poupança para reduzir seu tempo de trabalho.

Consequentemente, para que a poupança do cidadão comum não perca poder de compra ao longo do tempo, ele terá de continuamente investi-la no mercado financeiro, o que significa que ele corre o risco de perder o que já tem.

Neste cenário, a conclusão é óbvia: perder o emprego — ou seja, perder sua fonte de renda — se torna um enorme problema, independentemente de você ter ou não uma poupança. Logo, a ausência de um emprego em um eventual futuro em que as máquinas poderão fazer todo o trabalho físico (ou, quem sabe, até mesmo os trabalhos mentais) se torna uma temível ameaça.

Em termos puramente econômicos, é claro, a automação não é uma ameaça, mas sim uma oportunidade. As máquinas, historicamente, sempre nos libertaram do fardo do trabalho pesado, monótono, perigoso, estafante e, por que não?, emburrecedor. As máquinas nos possibilitaram “terceirizar” para elas o trabalho extenuante para que pudéssemos nos dedicar a outros afazeres e a novos empreendimentos. Isso se traduziu em um espetacular aumento em nossa riqueza e em nosso padrão de vida.

E como elas reduzem nossa necessidade de trabalhar pesado ao mesmo tempo em que aumentam nossa produtividade (podemos produzir mais com menos esforço e com menos custos), os preços teriam de cair ainda mais rapidamente. Logo, nossos salários deveriam durar muito mais.

Porém, em um mundo de moedas inflacionárias, isso parece impossível, pois a percepção é a de que devemos trabalhar cada vez mais horas apenas para conseguir manter nosso padrão de vida.

Afinal, se a cada ano, o poder de compra da moeda cai entre 3 e 5%, isso significa que temos de aumentar nossa renda nominal neste mesmo valor apenas para conseguirmos comprar os mesmos bens e serviços de antes com nosso salário.

Ou, colocando de outra forma, imagine como seria se você nunca tivesse um aumento salarial: seu padrão de vida iria cair anualmente em decorrência do aumento de preços causado pela inflação monetária.

Esta perda anual no poder de compra, comparada ao aumento no poder de compra que deveríamos ter em decorrência do aumento da produtividade, é subtraída de nós pela inflação. Caso tivéssemos uma moeda sólida e estável, os preços cairiam anualmente, pois estaríamos sendo beneficiados pelo comprovado aumento de produtividade causado pela maior automação.

E é exatamente esta realidade da perda do poder de compra causada pela inflação que faz com que um futuro de ampla automação pareça uma ameaça.

Para concluir

Se tivéssemos uma moeda sólida e estável — ou seja, um arranjo no qual nos beneficiaríamos totalmente de nosso aumento de produtividade (individual e coletivo) —, a automação significaria simplesmente que poderíamos trabalhar menos ao mesmo tempo em que temos mais tempo para usufruir um maior padrão de vida — pois todos os preços iriam consistentemente cair, e provavelmente a um ritmo crescente.

Mais ainda (e isso é algo de que poucos se dão conta): sem um dinheiro inflacionário, nem sequer haveria a necessidade de constantes reformas do sistema previdenciário. Dado que a moeda ganha poder de compra com o tempo, os infindáveis debates sobre a reforma da previdência virariam mera curiosidade masoquista.

Como isso pode ser temido?

Entenda a teoria que deu a Richard Thaler o Nobel de Economia

Direito de autoria do site época negócios.

A teoria clássica da economia pressupõe que as pessoas são racionais. Tomam decisões com base nas informações disponíveis e escolhem a opção que vai melhor servir a elas. A partir desse entendimento, um consumidor não vai comprar três pacotes de bolacha (quando precisa apenas de um) só para ganhar um copo da marca (que ele não precisa). Também é lógico pensar que uma pessoa vai decidir economizar parte do seu salário para garantir uma vida mais confortável na aposentadoria. Ou que alguém que está endividado vai cortar seus gastos em vez de parcelar a compra de um sapato no cartão de crédito. Mas se nós somos realmente racionais em 100% do tempo, por que tanta gente faz exatamente isso?

É aí que entra a pesquisa de Richard Thaler, economista norte-americano que recebeu o prêmio Nobel de Economia de 2017. Thaler foi um dos primeiros estudiosos a unir a economia à psicologia. Sua premissa básica é de que os seres humanos não são sempre racionais e que suas escolhas são baseadas em questões subjetivas e culturais – muitas vezes, esses fatores podem pesar até mais do que a racionalidade. A linha de pesquisa de Thaler, conhecida como economia comportamental, humaniza a economia. Por outro lado, mostra que o comportamento das pessoas afeta movimentos na economia que não podem ser previstos ou explicados pelos economistas clássicos. De certa forma, ele mostra que as tomadas de decisão não são tão simples como pensavam os economistas.

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Ganhador do prêmio Nobel, Richard Thaler

Diferentemente de muitos ganhadores do Nobel, Richard Thaler não ganhou fama só após o prêmio. Ele fez sucesso com seus livros, com destaque para o best-seller “Nudge” e até apareceu no filme “A Grande Aposta”, sobre a crise das hipotecas nos Estados Unidos em 2008 (veja no fim da matéria). Quando foi questionado por jornalistas sobre como gastaria o prêmio de US$ 1,1 milhão, o professor Thaler respondeu: “Essa é uma pergunta engraçada. Vou tentar gastar da forma mais irracional possível”, como reportou o The New York Times.

Em uma coluna que escreveu no jornal, Thaler explica o conceito: “Um problema importante na teoria econômica tradicional é que os economistas descartam qualquer fator que não influenciaria o pensamento de uma pessoa racional. Mas infelizmente para a teoria, muitos fatores considerados irrelevantes importam. Os economistas criaram um problema para eles mesmos ao insistir em criaturas míticas conhecidas como homo economicus. Eu prefiro chamá-los de ´Econs` – seres altamente inteligentes capazes de fazer os cálculos mais complexos e totalmente sem emoções. Pense no Spock de Star Trek. Um Econ não compraria uma porção maior do que quer que seja que ele irá jantar na terça-feira porque estava com fome no domingo enquanto fazia as compras. A fome no domingo não deveria ser relevante para a escolha do tamanho da sua refeição na terça-feira. Um Econ também não continuaria comendo após estar satisfeito na terça-feira só porque já pagou pela comida. Para um Econ, o preço pago em um item no passado não é relevante para a decisão de quanto comer hoje. Um Econ não esperaria ganhar um presente no dia em que, por acaso, nasceu ou se casou. Qual a diferença de uma data arbitrária? Na realidade, os Econs ficariam perplexos com a própria ideia de presentes, pois saberiam que dinheiro é o melhor presente possível, já que permite que a pessoa que recebe compre o que lhe é mais eficiente”.

Segundo o professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, Joelson Sampaio, no trabalho de Thaler “os agentes não deixam de ser racionais, mas não são perfeitamente racionais como à luz da economia clássica, que diz que o homem toma decisões com base nas informações disponíveis e não leva em consideração questões sociais”. Com as descobertas de Thaler, é possível explicar comportamentos de indivíduos que desafiavam a teoria das escolhas racionais.

“A teoria econômica sempre pensou que, diante das opções, os agentes econômicos escolheriam racionalmente a melhor”, explica o economista Carlos Eduardo Costa. Ou seja, a empresa saberia o melhor investimento, o consumidor saberia quais os melhores produtos para comprar e o que fazer com o seu salário. “Thaler e outros economistas começam a mostrar que não é bem assim”, diz Costa.

A economia comportamental explica por que as pessoas priorizam o consumo no presente em vez de economizar para a aposentadoria, por exemplo. Isso porque é muito mais próximo e palpável o prazer presente em vez do possível sofrimento no futuro. “Os indivíduos fazem uma contabilidade mental e tendem a dar peso maior para o presente em relação ao futuro”, explica Sampaio. Para o indivíduo, é mais difícil abrir mão de um benefício presente (o consumo) do que de um benefício futuro (a aposentadoria), ainda que racionalmente ele saiba que deve poupar.

Explica também o movimento manada nos mercados financeiros – quando o mercado está em alta, mais pessoas decidem investir em ações. Não é racional pensar que, como os preços das ações estão subindo recentemente, vão continuar a subir. Mesmo assim, esse é um fenômeno recorrente. Como explicou o próprio Thaler, no filme “A Grande Aposta”: “no basquete, quando um jogador faz muitas cestas seguidas, as pessoas acham que ele vai continuar acertando. As pessoas acham que o que está acontecendo agora vai continuar a acontecer no futuro. Então, quando o mercado está subindo, as pessoas acreditam que nunca vai cair”.

Outro caso clássico: você preferiria ganhar R$ 50 com certeza, ou jogar cara ou coroa e ter 50% de chance de ganhar R$ 100? Se escolheu a primeira opção, pode ter certeza de duas coisas: primeiro, que você faz a mesma escolha da maioria das pessoas e, segundo, que sua escolha foi irracional. “Para a economia clássica, as duas opções são iguais. Mas quando você faz um experimento, vê que as pessoas escolhem ganhar os R$ 50 com certeza”, explica Sampaio.

Nudge

Outro ponto importante da pesquisa de Richard Thaler é o chamado nudge. Sem tradução em português, ele é definido muitas vezes como um empurrão ou um gatilho para influenciar a decisão de um consumidor. Depois de descrito, esse mecanismo passou a ser usado em políticas públicas.

No Brasil, conta Sampaio, essa técnica foi usada no Rio de Janeiro. “A prefeitura ligava para as pessoas e dizia que o bom cidadão paga as contas. Como resultado, as pessoas pagaram mais IPTU. De alguma forma, essa ligação afetava mais do que a simples chegada da conta na casa dos cidadãos”.

Outro exemplo de nudge é na elaboração de formulários. Por exemplo: uma empresa oferece planos de aposentadoria privada a seus funcionários. Se no formulário o empregado precisa assinalar a opção de “não, não quero o plano de aposentadoria”, o índice de contratação é muito mais alto do que se o funcionário tiver que assinalar a opção “sim, quero o plano de aposentadoria”. Isso porque as pessoas tendem a aceitar a opção que lhes é dada, sem ter de arcar com os custos psicológicos da escolha.

As empresas, claro, também se aproveitam desse mecanismo. Sabem que se colocarem um anúncio de 50% de desconto em determinado produto, as pessoas tendem a comprar mais – mesmo que o preço final for exatamente o mesmo do que era antes (sim, cobrar a “metade do dobro” funciona para as empresas).

“Isso também vale dentro das empresas. Se um fornecedor aumentar o preço da tabela e der um desconto para a empresa X, o gerente tem mais chances de escolher esse fornecedor, mesmo se o insumo que ele está vendendo for mais caro do que o do concorrente”, disse Sampaio.

A jornada do Juruna – Aporte nº 70

Aporte nº 70, outubro de 2019.

Para quem não sabe da história do nosso protagonista, veja aqui.

Aviso: não sou profissional com certificações para indicar investimentos! Todas as informações fornecidas neste site têm o intuito de provocar, de forma simples e didática, a busca por conhecimento para o leitor melhor conduzir a própria vida financeira.

Em 11/10/2019, o patrimônio de Juruna estava composto nas seguintes quantidades:

Sem título

Dinheiro novo em Out/19:

  • Aporte: R$ 2.000,00;
  • Proventos referentes a Setembro/2019: R$ 145,24;
  • Total a ser investido em Outubro/2019: R$ 2.145,24.

Respeitando o limite imposto na estrutura do patrimônio, Juruna aportou em renda variável, adquirindo 113 ações de ABEV3 ao preço máximo do pregão do dia  11/10/2019 (R$ 18,85).

Para quem quiser verificar a evolução do patrimônio de Juruna desde jan/2014, segue o link para o download da planilha: Carteira-do-Juruna-oUT-2019.

Sem título
Visão geral do portifólio do Juruna em Out-2019
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Diversificação na renda variável
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Pratimônio do Juruna após o aporte de Outubro

Como disse o Chico Bento:

“Renda variável vareia”

Sigamos em frente.

Um pouco sobre determinação

Em uma das minhas leituras, me deparei com esse poema – “Se” – publicado por Rudyard Kipling em 1909.

Não o confundam com as balelas ditas por coaches a torto e a direito. Ele só mostra o quanto é importante nos mantermos determinados enquanto vivemos.

Vamos a ele:

Se você puder manter a calma quando todo mundo à sua volta já a perdeu e diz que você é o culpado;
Se, quando duvidam de você, puder manter sua autoconfiança e ainda puder desculpá-los pela dúvida;
Se você conseguir esperar, sem se cansar da espera, ou, te caluniarem não responder com calúnia, ou, se for odiado não ceder espaço ao ódio, e ainda assim não quiser parecer superior ou muito sábio;
Se você puder sonhar – e não fizer dos sonhos seu mestre;
Se você puder pensar – e não fizer dos pensamentos sua meta;
Se você puder encontrar o Triunfo e Derrota e tratar esses dois impostores da mesma forma;
Se você puder suportar a verdade que lhe dizem distorcida por aqueles que querem te ver cair, ou ver as coisas a que dedicou a vida se acabarem, e se abaixar para reconstruí-las com ferramentas velhas;
Se você puder fazer uma pilha com todas as suas conquistas
E arriscá-las em uma jogada de cara ou coroa, e perdê-las, e começar novamente do início e nunca dizer uma palavra sobre a perda;
Se você puder forçar coração, nervos e músculos a persistirem mesmo depois de esgotados, e aguentar quando não há mais nada em você, exceto a Determinação que fica a repetir: “Aguente!”;
Se você puder falar com multidões e manter sua virtude, ou andar com Reis e não perder a simplicidade;
Se nem adversários cruéis nem amigos queridos podem ferir você;
Se todos os homens confiam em você, mas não em demasia;
Se você puder preencher cada minuto
Dando valor a todos os segundos, sua é a Terra e tudo que existe nela, e – o que é mais valioso – você será um Homem, meu filho!

Prejuízo, depressão e morte no mercado de day trade: quando a especulação sai de controle

Direito de autoria do site Arena do Pavini.

Analista de sistemas em uma empresa de gás, Bruno Cortes, de 33 anos, sempre se interessou pelo mercado financeiro. Com um bom salário, mais de R$ 10 mil por mês, fazia aplicações em Tesouro Direto, mas queria mesmo investir em bolsa. Seduzido por comentários de amigos e  propagandas de corretoras, buscou informações, fez cursos de day trade, nome dado às operações curtíssimo prazo de compra e venda de papéis em bolsa e, em novembro do ano passado, estreou como trader, juntando-se às cerca de 40 mil pessoas físicas que tentam viver da especulação no mercado. Sacou R$ 60 mil das economias do Tesouro Direto, depositou o valor como garantia em uma corretora e passou a comprar e vender minicontratos futuros de dólar e de Índice Bovespa.

Perda pode superar o valor aplicado

O day trade nos mercados futuros é diferente do investimento tradicional em ações. Enquanto na compra de ações a perda é limitada ao valor investido caso a empresa quebre, no mercado futuro as perdas são ilimitadas. Se o investidor aposta que o dólar futuro vai subir e ele cai, ele tem de pagar a diferença para quem ganhou. Por isso, as corretoras exigem depósitos de garantias e estabelecem limites de perdas que, quando são atingidos, levam à liquidação compulsória da operação. Mas o ganho também pode ser ilimitado, por isso a tensão é constante e a adrenalina é alta em meio às oscilações dos preços. O trader tem de ganhar não só de outros traders, mas também de investidores profissionais, como tesourarias de bancos, fundos de investimento e empresas, com seus grandes departamentos de análise e robôs.

Ganhos elevados e página no Instagram

Logo de cara, Cortes se deu bem e ganhou muito dinheiro. Em um único mês, chegou a lucrar R$ 100 mil com a especulação. O sucesso foi tanto que ele começou a ser procurado por amigos e conhecidos que queriam aprender também suas técnicas para ganhar dinheiro na bolsa. Montou então uma página no Instagram, na qual mostrava suas principais operações e os lucros que obtinha.

Em janeiro deste ano, porém, a sorte de Cortes mudou. Em um único mês, as perdas chegaram a R$ 70 mil, quase tudo que ele tinha guardado no Tesouro Direto. Mas ele não desanimou. Passou a se dedicar ainda mais ao mercado, tentando de alguma forma recuperar o que havia perdido. Operava todo dia, de casa ou do trabalho, o que acabou por atrapalhar seu desempenho e provocar uma advertência do chefe. Aos poucos, o day trade acabou se tornando um vício.

Começou então a faltar ao trabalho para se dedicar às operações em bolsa. Mas a sorte não mudava e ele estourou os limites na corretora em que operava, acumulando uma dívida. E foi trocando de corretora a cada nova perda, passando pelas principais do mercado, como Clear, Modal, Rico e Genial. O sistema de controle de inadimplência, de aviso ao mercado, que impediria que ele abrisse conta em uma corretora devendo em outra, não funcionou, e ele foi aumentando o prejuízo.

Limite de crédito do banco

Cortes recorreu então ao limite da conta do cheque especial no banco, um valor alto, para financiar as operações. Quando o limite acabou, avisou a mulher, com quem havia se casado há um ano e meio, que ia vender o carro para pagar as dívidas. Mas acabou investindo o dinheiro, mais R$ 80 mil, no mercado. Perdeu tudo. Pediu então mais R$ 16 mil para esposa para pagar as dívidas. O dinheiro também sumiu no day trade.

Mudança de humor

Sujeito inteligente e extrovertido, Cortes parou de sair de casa, só queria operar na bolsa, buscando recuperar os prejuízos, conta a mulher, que passou a se preocupar e questionar o que estava acontecendo. Mas, diante da insistência dela, ele parou de contar o que se passava. Notando a mudança no marido, ela insistiu e o fez procurar um psicólogo, que detectou depressão e receitou remédios e terapia. Cortes, porém, não quis fazer o tratamento. “Meu problema é dinheiro, se a psicóloga me der dinheiro, eu vou”, dizia.

Imagem de ganhador

Estranhamente, ele continuava contando aos amigos que estava ganhando dinheiro no mercado e postando trades de sucesso no Instagram. Para todos, ele continuava sendo um vencedor. O que ele não contava é que de cada R$ 10 mil que ganhava, perdia R$ 20 mil.

No dia 19 de julho, uma sexta-feira, Cortes não foi trabalhar. Ficou em casa para esperar o pedreiro que fazia uma reforma no apartamento. Às 10h30 da manhã, a mulher de Cortes recebeu uma ligação no trabalho. Era da polícia, afirmando que Cortes havia sofrido um acidente e que ela deveria ir à delegacia. Como ele andava de moto, a mulher imaginou um acidente de trânsito. Ao chegar, o delegado contou que Cortes havia se jogado do 14º andar do prédio. No apartamento, os policiais encontraram o computador de Cortes ligado, com a tela aberta na página da bolsa de valores. Apenas naquela manhã, ele havia perdido mais R$ 37 mil, conta a esposa.

Dívida de R$ 285 mil

Ela soube então que Cortes acumulava uma dívida de R$ 285 mil no banco, referente aos empréstimos para cobrir os prejuízos no mercado.  Além disso, tinha dívidas de R$ 50 mil em uma corretora e R$ 30 mil em outra. Outra surpresa a esperava: ela descobriu que, sem crédito para operar, Cortes havia aberto uma conta em nome dela em uma corretora, usando seus documentos. E ela, que nunca operou, estava sendo cobrada por uma dívida de R$ 25 mil.

Para a mulher de Cortes, cujo nome o Portal do Pavini decidiu preservar, a tragédia tem muito a ver com a situação psicológica de cada pessoa. “Mas devia haver algum sistema de segurança nas corretoras, que visse quando a pessoa está perdendo muito e tentasse impedir”, diz. Com a morte de Cortes, ela passou a ser cobrada pela corretora para pagar a dívida feita pelo marido em seu nome. E também caiu em depressão.

Estudo mostra que 92% perdem

O caso de Cortes mostra o risco que pessoas com alguma vulnerabilidade emocional correm ao entrar em um mercado de altíssimo risco como o de day trade de mercados futuros. Competindo com robôs e grandes investidores, as chances desses pequenos investidores, em geral novatos do mercado, ganharem é baixíssima, como mostra estudo feito pelos professores da Fundação Getulio Vargas (FGV) Fernando Chague e Bruno Giovannetti.

Segundo o estudo, 19.696 pessoas começaram a fazer day-trade em mini índice entre 2013 e 2015. Dessas, 18.138 (92,1%) desistiram, umas mais cedo, outras mais tarde. Das 1.558 pessoas que persistiram por mais de 300 pregões, tentando de fato viver de day-trading, 91% tiveram prejuízo e apenas 13 pessoas obtiveram lucro médio diário acima de R$ 300,00.

De acordo com os professores, os dados também mostram que o desempenho do day trader não melhora à medida que ele persiste na atividade (na realidade, piora). “Essa última evidência é crucial e vai de encontro à ideia, em geral propagada por especialistas das corretoras, de que day-traders melhorariam com a experiência e que, portanto, deveriam persistir”, afirmam os professores.

“Isso é como a maconha”, afirma o professor William Eid Junior, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV.  “Criou-se um mito global que diz que maconha não faz mal, e ai de quem disser que causa esquizofrenia, que é porta para outras drogas… o lobby é gigantesco”, afirma. Ele critica a publicidade dada a esse tipo de atuação no mercado. “Se você der uma busca por day trade no Google, vai se deparar com um sem número de artigos e anúncios de cursos falando que este é o caminho para a independência, e uma montanha de inocentes acredita”. Quando surge um estudo como o do professor Chague, afirma Eid, a tendência é o investidor usar o famoso “viés da confirmação” e não ler a notícia. “Eu só leio o que confirma a minha opinião”, explica Eid.

Síndrome do beijo no baile

Outro comportamento dos traders é o que Eid chama de “síndrome do beijo no baile”. “Nos tempos de rapaz, nós só contávamos para os amigos sobre as garotas que tinha aceitado nosso beijo, as que nos deram tapas, jamais”, diz. “É igualzinho o day trade, se alguém perde, não conta, só conta dos dias que ganha”, afirma o professor. Ele diz ter passado o estudo para um conhecido que gosta de operar day trade na bolsa recentemente e o resultado foi o esperado. “Claro que ele nem leu.”.

Eid, que foi um dos criadores do Centro de Estudos de Finanças Comportamentais da FGV, cita alguns vieses comportamentais que estão presentes no caso dos traders.

Excesso de confiança, ilusão de controle: como o investidor se engana

O primeiro é o excesso de confiança, no qual o investidor acha que consegue vencer o mercado sozinho. Há ainda o viés de confirmação em que se vê apenas aquilo que confirma nossa opinião, desprezando informações que nos contrariam.

Outro viés é a ilusão de controle, que faz as pessoas acreditarem que podem afetar os eventos futuros ou dominá-los, mesmo que não se tenha nenhuma influência sobre elas, como é o caso dos preços do mercado.

Há ainda a representatividade, no qual o investidor só leva em conta os eventos que o afetaram mais para analisar o futuro. Assim, o amigo falando do ganho que obteve no day trade acaba sendo mais representativo do que o fato de o próprio investidor ter perdido.

Também está presente o viés do autocontrole, em que o investidor tem dificuldade em se controlar e acaba voltando a arriscar para tentar ganhar o que perdeu, e o viés do otimismo, quando o indivíduo se considera melhor que  a média em determinadas situações e acredita que só coisas boas acontecem com ele.

Eid lembra ainda que há um grande número de pessoas e empresas que ganham com esse tipo de mercado e que incentivam seu crescimento. “Sempre lembro que quem ganhou mais dinheiro na febre do ouro da Califórnia foram os fabricantes de picaretas”, ironiza.

Para o professor, há um forte apelo psicológico no mercado de day trade. “O investidor fica excitado, acha que vai resolver seu problema de desemprego ou de falta de dinheiro, mas acaba perdendo e destruindo a vida familiar.”