6 dicas incríveis para fazer um investimento a longo prazo eficiente!

Direito de autoria do site Finanças Pessoais.

Fazer um investimento a longo prazo é uma ótima opção para quem quer planejar um futuro com tranquilidade. Quem se programa com bastante antecedência, por exemplo, por meio de aplicações financeiras, pode conquistar uma renda complementar segura quando se aposentar e, assim, não depender somente da Previdência Social ou mesmo da previdência privada. Porém, para que essa estratégia dê realmente certo, é necessário aplicar as economias em investimentos que possuam retorno acima da caderneta de poupança e da inflação.

Se você quer começar a trilhar o seu futuro de sucesso desde já, confira as seis dicas a seguir para ter mais eficiência nas suas aplicações financeiras!

Plante hoje para colher mais tarde

Quem adquire o hábito de economizar geralmente consegue ter um consumo consciente ao fazer um uso racional do dinheiro. Com o resultado dessa atitude, ou seja, a quantia poupada, você pode fazer um investimento a longo prazo. A vantagem de ter esse tipo de postura quando ainda se é jovem é o fato de ter bastante tempo para “plantar” sementes de riqueza para colhê-las na aposentadoria. Além disso, quem começa a investir cedo pode aproveitar o auge da carreira, período em que se ganha mais, para fazer aportes mensais maiores e acumular patrimônio mais rápido.

Descubra a relação entre investimento a longo prazo e risco

O mercado financeiro dispõe de diversos tipos de aplicações, para curto, médio ou longo prazo. Além disso, é possível encontrar investimentos com diferentes tipos de risco. Para escolher a melhor aplicação para o seu caso, é importante definir de antemão o uso que fará do dinheiro acumulado, isto é, estabelecer o seu próprio objetivo financeiro. Por exemplo, entre as metas possíveis, estão fazer um investimento a longo prazo para garantir a aposentadoria ou pagar a faculdade dos filhos. O tempo que você tem para poupar, até precisar fazer o resgate da aplicação, pode ser um critério para a escolha do melhor tipo de investimento.

Quem é jovem e, portanto, tem muito tempo até se aposentar, pode correr mais riscos na hora de investir. Afinal, caso haja alguma perda, será possível recuperar esse eventual prejuízo, como pode ocorrer na chamada renda variável. Porém, se você já está perto da aposentadoria ou possui um perfil conservador, de quem não quer perder dinheiro de jeito nenhum, uma opção mais adequada é investir em aplicações seguras, que visem à preservação do patrimônio.

Perceba a relevância da variável tempo

No mercado financeiro, geralmente o longo prazo compreende um tempo maior do que cinco anos. Ainda assim, quem tem como objetivo financeiro garantir uma aposentadoria tranquila, pode fazer investimento a longo prazo com 10, 20 ou 30 anos.

Nos casos das aplicações de renda fixa, que funcionam como uma espécie de empréstimo remunerado com juros, a variável tempo pode ser decisiva no resultado final. Por exemplo, quando há a incidência de juros compostos sobre a aplicação, a rentabilidade tende a ser mais acelerada no decorrer do tempo. Afinal, o efeito dos “juros sobre juros” se dá sobre o montante acumulado e não só sobre o capital inicialmente investido. Logo, se você faz aportes mensais na aplicação, aumenta ainda mais esse efeito.

Escolha o melhor tipo de investimento

Quem opta por fazer um investimento a longo prazo possui algumas vantagens em relação a quem quer aplicar o dinheiro por prazos menores. Por exemplo, grande parte das aplicações de renda fixa, como os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e os títulos públicos do Tesouro Direto, possui uma tabela regressiva de Imposto de Renda. A menor alíquota, de 15%, incide sobre as aplicações com mais de 720 dias. Logo, ter a tributação como um dos critérios de escolha da aplicação mais adequada para o objetivo financeiro é uma opção do investidor.

Vale lembrar que algumas categorias de investimentos, como os títulos públicos, possuem uma subdivisão de produtos financeiros. Por exemplo, é possível investir no Tesouro Prefixado, que paga uma taxa de juros acordada no ato da aplicação, no Tesouro IPCA+, que remunera uma taxa prefixada mais a variação da inflação, ou ainda no Tesouro Selic, que paga a variação da taxa básica de juros da economia. Nesse caso, cada tipo de título público é mais adequado para um contexto econômico específico e para um determinado prazo. Ainda assim, se você quer proteger o poder de compra, uma opção é investir no Tesouro IPCA+, que preserva o dinheiro do ataque da inflação.

Outra opção de investimento a longo prazo é a compra de ações de empresas na Bolsa de Valores. Mesmo que faça parte da renda variável, ou seja, que pode subir ou descer, o mercado acionário historicamente tem potencial de ganho superior às aplicações de renda fixa. É claro que, para ter êxito nesse tipo de investimento, é necessário escolher ações de companhias com boa saúde financeira. Afinal, empresas que têm resultado positivo distribuem parte dos lucros para os acionistas na forma dos chamados dividendos.

É bem verdade que também é possível comprar ações quando os preços estiverem baixos e vendê-las quando as cotações subirem. Porém, nesse caso é preciso ter certo conhecimento do mercado para encontrar ações com valores atrativos e potencial de crescimento. O fato é que o longo prazo é o tempo ideal para que empresas deem resultados consistentes, principalmente quando se investe num período de crise econômica.

Diversifique

Por mais seguro que seja um investimento a longo prazo, sempre há riscos envolvidos. A poupança, por exemplo, já chegou a ser confiscada pelo governo na década de 1990. Logo, para evitar transtornos no futuro, é recomendável que você diversifique as suas aplicações financeiras com base no seu perfil de risco (conservador, moderado ou agressivo). Por exemplo, há pessoas que colocam uma porcentagem do patrimônio na renda fixa e outra na renda variável. Dentro de cada classe, ainda há uma subdivisão do capital aplicado.

Existem investidores que não colocam só dinheiro em ativos financeiros, mas também em imóveis, terrenos, obras de arte etc. Além dos investimentos em si, também é importante manter uma reserva de emergência para cobrir imprevistos e, com isso, não precisar resgatar o dinheiro de um investimento a longo prazo.

Reavalie

Como você deve saber, a economia é dinâmica. Logo, uma aplicação que pode ser adequada para um momento pode não ser para outro. Por isso, mesmo no longo prazo, é importante reavaliar de tempos em tempos as aplicações, para saber se estão no caminho certo. Com ajustes precisos, é possível aproveitar as oportunidades de cada contexto econômico. Dessa forma, você conseguirá formar um patrimônio sólido, capaz de assegurar a você uma aposentadoria tranquila sem dependência do INSS.

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A jornada do Juruna – Aporte nº 67

Aporte nº 67, julho de 2019.

Para quem não sabe da história do nosso protagonista, veja aqui.

Aviso: não sou profissional com certificações para indicar investimentos! Todas as informações fornecidas neste site têm o intuito de provocar, de forma simples e didática, a busca por conhecimento para o leitor melhor conduzir a própria vida financeira.

Em 05/07/2019, o patrimônio de Juruna estava composto nas seguintes quantidades:

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Dinheiro novo em Jul/19:

  • Aporte: R$ 2.000,00;
  • Proventos referentes a Junho/2019: R$ 198,93;
  • Total a ser investido em Junho/2019: R$ 2.198,93.

Respeitando o limite imposto na estrutura do patrimônio, Juruna aportou em renda variável, adquirindo 110 ações de UGPA3 (menor participação em relação às demais empresas) no preço máximo do pregão de 05/07/2019 (R$ 19,89).

Para quem quiser verificar a evolução do patrimônio de Juruna desde jan/2014, segue o link para o download da planilha: Carteira-do-Juruna-Jul-2019.

Na planilha adicionei alguns indicadores de acompanhamento do patrimônio do Juruna.

São eles:

  • Aportes médios;
  • Participação do total de aportes em relação ao patrimônio;
  • Rentabilidade dos aportes;
  • Percentual do aporte do mês em relação ao patrimônio.
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Feature nova na planilha !!!
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Visão geral do portifólio do Juruna em Jul/19
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Diversificação na renda variável
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Patrimônio do Juruna após o aporte de Julho/19

2º semestre iniciando com explosão no patrimônio!

Ps: diferente de maio, agora sim Juruna está preocupado com o curto prazo.

#agoravai

 

Navegando no risco: índice beta

Dando sequência ao último artigo, entenderemos agora como as oscilações de um determinado ativo podem ser parametizadas em um índice.

Como vimos no post anterior, o risco de um ativo é definido pelo desvio padrão das variações do retorno do ativo dentro de um período de tempo.

Exemplo: cálculo do risco (volatilidade) de WEGE3 e MGLU3.

Dica: quem quiser encontrar as cotações históricas de um ativo, acesse o site UOL economia. Eles já disponibilizam os dados no formato de planilha, facilitando enormemente o seu trabalho.

Os cálculos serão feitos no Excel. Abaixo disponibilizarei o link para download da planilha.

Basicamente, o que tem de ser feito para descobrir o desvio padrão (risco) de um ativo é:

  1. Listar todas as cotações, dia após dia, do ativo;
  2. Em outra coluna, fazer o cálculo da variação percentual das cotações, dia após dia;
  3. Feito isso, usar a fórmula =DESVPAD.A(lançar aqui toda a coluna das variações percentuais).

 Após lançarmos as fórmulas, encontramos os desvios padrões para um período de dois meses (42 dias úteis):

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Dessa forma, percebemos uma maior volatilidade, neste período, do maior para o menor, MGLU3 > WEGE3 > IBOV.

Agora sabemos o risco de cada um deles. Dessa forma, poderíamos testar mais ativos de forma a fazermos n carteiras combinando ativos de maior e menor dispersões de retornos.

Olhando o gráfico da redução de risco em relação ao número de ativos da carteira, temos o seguinte:

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Quanto mais ativos incluirmos na carteira, menor será o risco até o limite do risco não diversificável

Ok, mas o que poderia demonstrar o risco não diversificável?

Existe alguma fórmula que nos dê isso?

Infelizmente, não temos nada que amarre o resultado do risco não diversificável. Entretanto, temos um caminho que nos leva a uma forma eficaz de mensurar esse tipo de volatilidade.

O risco sistemático ou não diversificável é aquele intrínseco a todos os ativos, que é determinado por eventos econômicos, políticos e sociais – acontecimentos que comprometem o mercado como um todo. Agora imagine uma carteira com mais de 50 ativos, todos ponderados de acordo com o grau de participação deles no mercado. Você concorda comigo que esta carteira nos retrataria o risco sistemático?

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EUREKA!

Pois é isso mesmo, pessoal. O índice IBOVESPA é o benchmark de risco sistemático que irá nos guiar para o próximo passo, o cálculo do índice beta de um ativo.

Já sabemos calcular o risco do ativo. Também sabemos que o índice BOVESPA nos dará o risco sistemático. Agora temos que entender a relação do ativo com o risco sistemático.

O índice beta é um indicador que mede a sensibilidade de um ativo em relação a uma carteira que represente o mercado como um todo.

E como encontramos esse valor?

  • Primeiro, encontramos a relação de dependência do ativo em relação à carteira de mercado (covariância);
  • Após isso, fazemos a razão da covariância do ativo em relação à carteira pela variância da carteira de mercado.

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Repare que o índice beta de dará o risco do ativo em relação ao de mercado.

-Pracinha, fiz esse cálculo aí, e agora, como interpretá-lo?

-Acalme-se, Daniel-San.

Basicamente, podemos dividir o Beta em 3 categorias:

Beta Alto : Beta > 1
Beta Neutro : Beta = 1
Beta Baixo : Beta < 1

Com isso, podemos classificar o ativo de acordo com o grau do índice beta:

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Ativo agressivo
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Ativo neutro
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Ativo defensivo

Resumidamente:

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Após toda a teoria, vamos ver qual foi o valor encontrado para o índice beta de MGLU3 e WEGE3:
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Link para download: Cálculo do beta de um ativo

Com esses resultados (básicos, dado o período de dois meses), chegamos à conclusão de que MGLU3 oscila mais que o mercado (postura agressiva) e que WEGE3 oscila menos que o mercado (postura defensiva).

Dada a extensão do post, deixarei as contribuições, críticas e decorrências do uso do índice beta para o próximo artigo.

Ps: não seja Juruna igual a mim. Eu fiz os cálculos para mostrar didaticamente como se encontra o índice beta. Não sofra sem necessidade.

Siga esses passos para encontrar os índices betas dos ativos que você quiser:

  1. Acesse o site: Trading View;
  2. Coloque na caixa de pesquisa o código do ativo que você preferir (ex: WEGE3);
  3. Após pesquisar, role um pouco a tela para baixo e vá na área “sinais técnicos”;
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Beta de um ano de WEGE3: 0,2208

4. Anote o número num papel e feche este site. O site é de trading, fique longe das drogas.

Abraços e boa diversão =)

 

 

 

Risco, volatilidade, diversificação e outras aflições

O conceito de risco em investimentos tem significado diferente para as pessoas. Para alguns risco expressa volatilidade, para outros expressa a possibilidade de perder dinheiro.

É fácil entender o porquê da maioria pensar em risco como a possibilidade de perder dinheiro. Quando o mercado cai bastante é a primeira notícia do jornal. Nada atrai mais atenção do que o saldo diminuindo na conta delas.

A volatilidade é expressa pelo sobe e desce do portifólio e é o conceito de risco mais usado no meio acadêmico e nas pesquisas no mercado financeiro.

Volatilidade é medida em unidades de desvio-padrão (σ). Quanto maior o valor, maior o desvio padrão. Em inglês: Standart Deviation (SD).

Em um exemplo, tomando a média de retorno de um investimento em 5% e um desvio padrão de 10%. Em uma distribuição normal (1 desvio) há uma chance de 68% do retorno estar entre -5% e +15%.

Para exemplificar usaremos dados do mercado americano entre 1955-2004.

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Retorno e volatilidade

Percebemos que variações no retorno maiores indicam riscos (volatilidade) maiores. Isso vai de encontro ao velho axioma do mercado: não existe almoço grátis. Em busca de retornos maiores nós devemos correr riscos maiores.

Tenho certeza que vocês perceberam que a média do retorno simples (divisão do retorno total pelo período, no caso 50 anos) e o retorno composto das Treasurys Bills (semelhante ao TD aqui) são iguais. Isso é devido à volatilidade menor.

Uma maior volatilidade implica em uma perda maior da média simples, enquanto uma volatilidade baixa mantém a média simples e composta próximas. Caso não tenha ficado totalmente claro esta perda entre as médias de retorno simples e composta, veja a imagem a seguir:

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Perda entre a média simples e composta

O portifólio A, como não teve variação no seu retorno nos 2 anos, conseguiu ter uma média composta semelhante à média simples. Porém, o portifólio D, mesmo mantendo a mesma média simples de 5%, teve um retorno composto de 3,9%. Essa “perda” de retorno é resultado de uma volatilidade maior.

Este é um conceito importante! Reduzir a volatilidade da nossa carteira faz com que possamos continuar firmes com a acumulação de patrimônio, reduzindo assim a chance de enfartarmos no curto prazo.

Como o risco apresenta-se?

No mercado financeiro, temos dois tipos de riscos, sendo eles:

  • Sistemático ou não diversificável: risco intrínseco a todos os ativos, que é determinado por eventos econômicos, políticos e sociais – acontecimentos que comprometem o mercado como um todo.
  • Não sistemático ou diversificável: risco inerente ao próprio ativo, cuja diversificação ajuda a diminuir o risco não sistemático.

Ou seja, seu patrimônio em renda variável sofrerá com a volatilidade gerada por duas fontes. Uma é do próprio ambiente, que todos os indivíduos estão sujeitos; a outra, dos próprios ativos da sua carteira.

Uma forma de reduzir o risco é aumentar o número de empresas na renda variável, de forma que o risco geral da carteira seja menor do que a média ponderada dos riscos de cada ativo que a compõe.

Graficamente, a redução do risco fica da seguinte forma:

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Obviamente, o ideal é buscarmos sempre ativos que possuam correlação negativa. Para esse post não fique muito extenso em informações, deixarei a base estatística para o próximo artigo.

Imagine o seguinte cenário:

  • Investidor A: possui em RV ITUB3, BBDC3, ITSA3, BBAS3, SANB11 e BIDI4;
  • Investidor B: possui em RV ABEV3, ITUB3, WEGE3, LREN3, GRND3 e KROT3.

De imediato, percebemos que o investidor A está concentrado em um único setor, o bancário. Já o investidor B tem seu capital em RV diversificado em setores diferentes. Com isso, inferimos com facilidade que o portifólio do investidor B possui menos risco que os ativos que a compõem. Já o investidor A, ao concentrar a RV em um único setor, conseguiu aumentar o risco da carteira.

Sobre correlação, veja o seguinte exemplo:

Pense numa carteira com 2 ativos. GOLL4 e PETR3. Considere que a volatilidade nesse mercado somente seja motivada apenas pelas oscilações do preço do petróleo.

Quando o brent sobre, petrobrás lucra e a cotação acompanha o lucro, valorizando PETR3. De forma contrária, o querosene fica mais caro para a Gol, aumentando os custos, reduzindo os lucros e, por consequência, causa queda da cotação da GOLL4.

Nesse caso, quando ficar bom para PETR3 fica ruim para a GOLL4 e vice e versa.

No próximo post abordarei uma forma de medir o risco de um ativo em relação a um benchmark que demonstre o risco sistemático.

Por hoje é só, pessoal.

Abração!

 

A importância de ter a própria “pele em jogo” – os ensinamentos sempre perspicazes de Nassim Taleb

Direito de autoria do site Mises Brasil.

Nassim Nicholas Taleb não é de tolerar insensatez. Autor de vários livros, dentre os quais os famosos A Lógica do Cisne Negro (The Black Swan) e Antifrágil: Coisas que se Beneficiam com o Caos (Antifragile: Things That Gain From Disorder), Taleb é conhecido tanto por sua personalidade incendiária quanto por seu brilhante trabalho no campo da teoria da probabilidade.

Quem lê suas colunas frequentes no site Medium se depara com uma mente formidável, a qual não tem nenhuma paciência para com pensamentos de manada, e que tem especial prazer em destruir intelectualmente aquelas elites políticas e econômicas que não sofrem as consequências de suas desastrosas medidas. Taleb se refere a estas pessoas como uma elite que não tem “skin in the game” — ou seja, cuja pele não está em jogo.

A pele em jogo (“skin in the game”) é um princípio central (e muito bem-vindo) na visão de mundo de Taleb: nós somos cada vez mais governados por uma elite intelectual, política, econômica e cultural que não arca com as consequências das decisões que ela toma “em nosso próprio (e involuntário) interesse”.

Neste quesito, Taleb é um populista, no sentido não-pejorativo do termo: ou seja, um indivíduo que sabe exatamente como as pessoas comuns pensam e sentem. Com efeito, ele corretamente identificou tendências que levariam à crise financeira de 2008, ao Brexit e à eleição de Trump. Ele sabe que o globalismo não tem nada a ver com globalização e com o liberalismo. Ele sabe que a cultura e a identidade própria são importantes. E, acima de tudo, ele sabe que as elites não entendem como a aleatoriedade e a incerteza afetam a suposta inevitabilidade de uma ordem global.

Assim, Taleb argumenta que a intelligentsia não apenas é soberba ao querer planejar nosso futuro, como também é completamente ignorante: as fragilidades do arranjo estão por todos os lados, e as elites globalistas não têm como controlá-las e evitá-las. O orgulho arrogante e o excesso de confiança são resultados inevitáveis da proeminência e da riqueza fácil, e isso faz com que tais pessoas fiquem cegas e não vejam o Cisne Negro logo à sua frente.

Nascido no Líbano em uma família importante, educado na Universidade de Paris e na Escola de Administração de Wharton, na Pensilvânia, Taleb tinha tudo para se tornar parte da aristocracia cognitiva que ele tanto desdenha. Mas ele nunca foi um deles. Sua personalidade durona, acentuada por sua dedicação a rigorosos exercícios de levantamento de peso, se torna rapidamente evidente em suas notórias entrevistas e em suas desavenças públicas no Twitter. Sua disposição em estudar profundamente assuntos como religião e história o distancia totalmente dos progressistas e globalistas que gostariam que ambos estes assuntos desaparecessem. Taleb escreve para o leigo inteligente, e sua abordagem volta para o cidadão comum também se estende à sua descrição de si próprio como um “intelectual privado, e não público”.

Libertários e seguidores da Escola Austríaca irão encontrar muito o que admirar nas brilhantes demolições dos “pseudo-especialistas” que Taleb identifica na academia, no jornalismo, na política e na ciência. Mas Taleb não é um austríaco. Embora ele tenha uma visão decididamente crítica e escarnecedora da maioria dos economistas — ele defende que o Nobel de economia seja abolido —, Taleb não condena a maneira como a economia é vista e estudada hoje. Tampouco ele alega ter inclinações heterodoxas ou reacionárias. Eis como ele próprio se define:

“Sou um economista ortodoxo neoclássico tradicional, e não um heterodoxo radical ou qualquer coisa do gênero. Apenas não gosto de modelos duvidosos que utilizam alguma matemática, como regressão, que ignoram padrões estocásticos e obtêm resultados errados. E odeio essa preguiçosa mania de depender mecanicamente de métodos estatísticos ruins. Não gosto de modelos que fragilizam. Não gosto de modelos que funcionam no computador, mas não na realidade. Isso é que é economia padrão.”

Embora Taleb não seja avesso a usar matemática e estatística na economia, austríacos compartilham de sua perspectiva de que ambas são ferramentas para economistas, e não solucionadoras de problemas. Modelos estatísticos são, em sua grande maioria, fraudes que não fornecem nenhum valor real para investidores ou prognosticadores econômicos, não obstante haja um mercado formado por analistas quantitativos altamente bem pagos, formados nas melhores universidades. Com efeito, modelos matemáticos frequentemente geram efeitos nefastos, como o de criar uma falsa sensação de relativa certeza em um arranjo em que é impossível haver alguma certeza.

É sempre revigorante ver alguém como Taleb, um não-austríaco, fazer essa afirmação tão cara à Escola Austríaca e de maneira bastante efetiva, e sem recorrer ao paradigma austríaco da praxeologia.

E, se a visão de Taleb a respeito da economia ainda pode ser considerada um tanto convencional, seu tom é uma mescla de Rothbard e Hayek:

“Sabemos da teoria do caos que, mesmo se você tivesse um modelo perfeito do mundo, você ainda assim necessitaria de uma precisão infinita para prever eventos futuros. Para fenômenos sociopolíticos ou econômicos, isso é absolutamente impossível.”

Taleb ainda vê a necessidade de existir governo, e defende leis de proteção ao consumidor contra “empréstimos predatórios” como um exemplo do que o governo pode fazer. Mas ele aparentemente apoiou Ron Paul nas eleições presidenciais americanas de 2012, e mencionou Hayek e sua teoria do conhecimento disperso pela sociedade como uma grande influência.

Adicionalmente, Taleb também direciona um veneno especial para vários alvos merecedores, como Paul Krugman, Joseph Stiglitz e Paul Samuelson. Taleb criou o termo “Síndrome Stiglitz” para se referir ao fenômeno dos intelectuais públicos que não sofrem nenhuma consequência financeira ou profissional por estarem espetacularmente errados em suas previsões.

Tamanho escárnio se torna especialmente pungente por ser feito pelo homem que corretamente previu as (e, com efeito, se tornou rico em decorrência das) crises econômicas de 1987 e 2008. Em ambos os caos, Taleb tinha sua pele no jogo, pois operava diretamente como trader no mercado financeiro. Seu próprio dinheiro e sua própria reputação estavam em jogo, ao contrário dos economistas que apenas escrevem colunas ideológicas para o The New York Times.

Para uma excelente (embora indireta) análise de como austríacos e libertários podem fazer avançar suas ideias e sua causa mesmo estando em posição minoritária, o recente artigo de Taleb The Most Intolerant Wins: The Dictatorship of the Small Minority é leitura obrigatória. Ele nos relembra que uma pequena minoria corajosa — a mais importante maneira de ter a pele em jogo — pode prevalecer sobre a massa sonolenta e inerte. Ele também nos mostra que são os indivíduos corajosos, e não os 51% da população, que fazem as reais mudanças em todas as sociedades.

Todo o crescimento da sociedade, seja econômico ou moral, sempre advém de um pequeno número de pessoas. Sendo assim, podemos concluir este capítulo com uma observação sobre como ter a “pele em jogo” pode alterar a condição da sociedade. A sociedade não evolui pelo consenso, pelo voto, pela maioria, por comitês, por reuniões prolixas, por conferências acadêmicas, e por pesquisas de opinião; somente algumas poucas pessoas já são o suficiente para alterar o equilíbrio da balança desproporcionalmente. E a assimetria está presente em tudo.

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Depois de 3 desvios, nada mais importa. 

O ensino tradicional da economia está perdido, atolado na areia movediça dos modelos preditivos incapazes de previr e das análises macro incapazes de analisar. A democracia política está perdida, tendo sido tomada por charlatães, pilantras e ladrões que incentivam a destruição do capital em vez de sua acumulação. E a academia está perdida, ainda presa a modelos antiquados comandados por PhDs. protegidos. Taleb já percebeu tudo isso, e faz um trabalho admirável ao explicar tudo para o leigo inteligente.

Os libertários e seguidores da Escola Austríaca fariam bem em vê-lo como um valoroso aliado e uma voz na infindável luta contra governos, burocracias, bancos centrais, e planejadores todas as estirpes.

A jornada do Juruna – Aporte nº 66

Aporte nº 66, junho de 2019.

Para quem não sabe da história do nosso protagonista, veja aqui.

Aviso: não sou profissional com certificações para indicar investimentos! Todas as informações fornecidas neste site têm o intuito de provocar, de forma simples e didática, a busca por conhecimento para o leitor melhor conduzir a própria vida financeira.

Em 07/06/2019, o patrimônio de Juruna estava composto nas seguintes quantidades:

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Dinheiro novo em Mai/19:

  • Aporte: R$ 2.000,00;
  • Proventos referentes a Maio/19: R$ 468,18;
  • Total a ser investido em Junho/2019: R$ 2.468,18.

Respeitando o limite imposto na estrutura do patrimônio, Juruna aportou em renda variável, adquirindo 327 ações de GRND3 (menor participação em relação às demais empresas) no preço máximo do pregão de 07/06/2019 (R$ 7,53).

Obs: CIEL3 foi posta em quarentena.

Para quem quiser verificar a evolução do patrimônio de Juruna desde jan/2014, segue o link para o download da planilha: Carteira-do-Juruna-Jun-2019.

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Visão geral do portifólio do Juruna em jun/2019
Sem título
Diversificação na renda variável
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Patrimônio do Juruna após o aporte de Jun/2019

Rumo ao término do 1º semestre!

Ps: maio passou e Juruna não percebeu.

Porque seus aportes são mais importantes do que o retorno de seus investimentos ?

Direito de autoria do Blog AA40.

Naturalmente nós investidores queremos investir em ativos com o melhor desempenho possível e os custos mais baixos também, mas o segredo para a construção de riqueza tem muito mais a ver com quanto você consegue poupar e investir do que que sua taxa de retorno dos investimentos e hoje iremos tentar provar isto.

Para quem está iniciando ou está no meio da jornada, a quantidade de dinheiro que você aporta na sua carteira é muito mais importante do que os fundos e instrumentos de investimento em que o dinheiro está aplicado, e a primeira razão disto é que você pode controlar muito bem quanto economizar, mas o retorno da sua carteira é muito mais difícil de controlar. Além disso, podemos provar isso matematicamente:

Para ilustrar isso, vamos imaginar duas pessoas. Os dois ganham 5 mil reais por mês líquido de impostos. A pessoa “A” consegue poupar apenas 5% dessa renda, ou seja, R$ 250 por mês. A pessoa “B” já consegue poupar 50% desta renda, ou seja, R$ 2500 por mês.

Vamos supor que B invista apenas na poupança e gere apenas 1% de retorno real por ano, já a pessoa A, que investe apenas 5% do rendimento, invista só em renda variável e que, tudo correu espetacularmente bem e obteve uma taxa de retorno real líquida de 16% ao ano.

Qual será o valor final da carteira dos dois depois de 20 anos? Veja abaixo:

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Observando os dois valores em vermelho percebe-se, por incrível que pareça, que aquele investidor (B) que apenas aportou na poupança e conseguiu míseros 1% ao ano de rendimento real possui mais de 200 mil reais a mais do que a pessoa A que apenas aportou 5% do salário mas obteve rendimento real de 16% a.a. (vamos aqui desconsiderar o risco inerente a este perfil do investidor A que é muito alto).

Embora este exemplo ilustre casos otimistas e pessimistas extremos, fica claro que a taxa de poupança é muito mais importante do que a taxa de retorno de um investimento e é onde nosso foco deve estar, pelo menos no início da acumulação de patrimônio.

Um estudo de Rick Ferri publicado em 2011 demonstra que, tomando duas pessoas que trabalham no mesmo emprego estável com exatamente o mesmo salário. Um economiza 5% e ganha 10% de retorno anual. O outro economiza 10% do salário e ganha 5% de retornos anuais. Demora mais de 25 anos para aquela pessoa com retorno de 10% a.a. passar a frente da pessoa que aporta o dobro:

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O Ideal

Claro que, idealmente, a taxa de poupança e também a taxa de retorno devem ser maximizadas para melhores resultados, como se observa na tabela, porém, para um retorno médio com risco bem moderado de 6%a.a, a diferença entre poupar 5% e 50% é você ter apenas 100 mil ou mais de 1,15 milhão de reais daqui a 20 anos.

Mais importante que o valor é o fato que, este valor de mais de 1 milhão de reais poderá facilmente gerar renda passiva para cobrir os 50% de gastos da pessoa B ao passo que a pessoa A que economizou apenas 5% da renda, os 115 mil reais não gerarão nunca a renda passiva necessária para cobrir os 95% do salário de gastos recorrentes (a valor presente).

Conclusão

De longe a taxa de poupança tem um impacto muito maior no tempo para atingir a independência financeira, sendo até mesmo mais importante que o retorno obtido nos investimentos.

Para o investidor iniciante com poucos recursos a taxa de poupança tem um papel absoluto no seu sucesso ao longo prazo ao passo que o retorno sobre investimento tem muito mais impacto para o investidor já com um grande capital acumulado. Pense que: Supondo um rendimento de 10% ao ano sobre um montante de R$ 1.000 serão apenas 100 reais. Isto você gasta em um jantar em uma noite. Já 10%a.a. sobre 2 milhões de reais são 200 mil reais, que pode ser dinheiro suficiente para realizar muitos sonhos ou cobrir despesas de um ano todo, dependendo da pessoa. Segue um norte para avaliar se é melhor focar na taxa de poupança ou no retorno dos investimentos:

Devo focar mais em poupar mais ou investir melhor?

Para responder isso, calcule o seguinte:

A- Quanto pretende investir este ano em reais;
B- Quanto seu portfólio te retornará bruto este ano em reais.

C=A/B

-Divida A por B. Se C for maior que 1 foque nos aportes; se o resultado for menor que 1, foque em investir melhor.

Basicamente este cálculo determina se o retorno estimado do seu portfólio no ano for maior do que os aportes que pretende fazer. Se isto for verdadeiro, você já deve focar menos nos aportes e mais em investir melhor, porém, nunca esquecer dos aportes constantes até atingir seu objetivo final, a independência financeira.

#paz