Então está mais barato o sonho da casa própria?

Em agosto deste ano a Caixa Econômica Federal anunciou um novo tipo de financiamento imobiliário atrelado ao IPCA. Dessa forma, o indexador anteriormente utilizado – taxa referencial – foi substituído pelo índice de preços ao consumidor amplo.

Como sempre, os veículos de notícias focaram na redução da taxa de juros. Diversas notícias (acredito que patrocinadas) foram jogadas aos quatro ventos, naquela patifaria de mencionar que a taxa agora está em 4%, 5%, diferente dos 8% ou 9% de antes.

Quando investimos em renda fixa, o ideal é comprarmos o título pós fixado que possua o maior prazo. Agora imagine o banco que está oferecendo o financiamento indexado. Certeza da vitória. Ele repassa o risco do capital emprestado totalmente ao cliente. Nesse sentido, a própria instituição financeira pode utilizar esse direito de recebimento do valor emprestado e vendê-lo, trazendo ao valor presente os 30, 35 anos de recebimento do adquirente do financiamento.

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AGORA VAI!

Na maioria das vezes, a comparação é feita sem ter em conta a dinâmica dos dois indexadores. O IPCA e a TR possuem diferentes comportamentos, como pode ser observado abaixo:

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Gráfico com a variação trimestral do IPCA (azul) e a TR (laranja) de ago-2004 a mai-2019

O gráfico acima mostra o comportamento dos dois indexadores nos últimos 15 anos. Dado que no mínimo os financiamentos são feitos nesse prazo, julguei válido trazer para vocês essa informação.

Povo, isso aqui é Brasil. Nunca tivemos um ambiente de baixa inflação e controle como temos agora. Na minha opinião, a inflação controlada se dá mais pelo desemprego atual do que o trabalho efetivo do governo ao controlar os agregados econômicos.

Nunca, mas nunca valerá a pena indexar uma dívida a um índice que oscila conforme preferências de consumo, custos de produção, serviços, variação cambial entre outros diversos itens que compõem a cesta do IPCA.

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IPCA – Variação mensal, acumulada no ano e acumulada em 12 meses (%) – Índice geral e grupos de produtos e serviços – Brasil – agosto 2019
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IPCA – Peso mensal (%) – Grupos de produtos e serviços – Brasil – agosto 2019

Agora dá para perceber o ferro oculto no oferecimento dessa modalidade de crédito. Pessoal, em uma janela de 5 anos atrás, vimos o IPCA bater 10% a.a. O indivíduo que escolher essa opção de crédito imobiliário terá o saldo devedor atualizado mensalmente, conforme a variação do índice for publicada.

Se for indexar alguma coisa, faça somente em investimentos. Imagine um saldo devedor de 200mil reais e uma variação de 0,5% do índice. O saldo devedor passa para 201mil reais e aí sim os juros serão aplicados. ISSO EM UM ÚNICO MÊS. Não existe taxa baixa, tampouco almoço grátis. Não acredite no corretor camarada.

Não tem como a instituição financeira perder. Consegui deslumbrar alguns cenários:

  • Inflação alta: o banco repassa o risco da variação de preços ao cliente;
  • Inflação controlada: bom tanto para o banco, quanto para o cliente;
  • Deflação: o saldo devedor não é atualizado, dessa forma, o custo de oportunidade do saldo devedor passa para o cliente.

Então é isso, povo de Roma. Conselho de amigo: se for comprar um imóvel, vá alugando e junte o dinheiro até conseguir comprar à vista. Se vai demorar 10, 15 anos, que seja. Só não acabe com sua tranquilidade financeira em 30 anos de boletos atrelados ao IPCA.

Abraços do pracinha.

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É mais tarde do que você pensa

Fonte:  It’s later than you think.

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Trabalhar para sustentar a família e investir é uma coisa necessária, mas algumas pessoas às vezes ultrapassam o limite do necessário e acabam trabalhando além da conta, ficando assim sem tempo livre para passar com a família.

O pai J.R. Storment, publicou um desabafo emocionante no linkedIn sobre seu filho Wiley, de 8 anos, que tinha epilepsia e morreu dormindo.

“Oito anos atrás, neste mesmo mês, eu tive gêmeos e cofundei o Cloudability. Cerca de três meses atrás, a Cloudability foi adquirida. Cerca de três semanas atrás, perdemos um de nossos meninos. Quando recebi a ligação, estava sentado em uma sala de conferências com 12 pessoas em nosso escritório em Portland, falando sobre políticas de tomada de força. Minutos antes, admiti ao grupo que, nos últimos 8 anos, não havia tirado mais do que uma semana de folga.

Minha esposa e eu concordamos que, quando um de nós liga, o outro responde. Então, quando o telefone tocou, levantei-me e caminhei até a porta da sala de conferências imediatamente.

Eu ainda estava andando pela porta quando respondi com “Ei, o que foi?”

Sua resposta foi gelada e imediata: ‘J.R., Wiley está morto’.

‘O que?’ Eu respondi incrédula.

‘Wiley morreu’. Ela reiterou.

‘O que ?! Não’. Eu gritei: ‘Não! ‘

‘Sinto muito, tenho que ligar para o 911’.

Essa foi toda a conversa. A próxima coisa que sei é que estou correndo pela porta da frente do escritório com as chaves do carro na mão, correndo ferozmente pela rua e murmurando “oh, merda. oh merda. oh merda. No meio do quarteirão, percebo que não tenho o controle da minha garagem. Correndo de volta para o saguão, eu quase grito ‘Alguém me conduz! Alguém me leva!’ Felizmente, um colega prestativo o fez.

Quando cheguei em casa doze minutos depois, nosso beco sem saída estava cheio de veículos de emergência. Eu corri pela nossa porta aberta e corri direto para o quarto que os meninos dividiam. Meia dúzia de policiais parou na minha frente bloqueando o caminho. Quando uma criança morre repentinamente, ela se torna uma cena de crime em potencial.

Foram longas e dolorosas 2 horas e meia antes que eu pudesse ver meu garoto. Eu disse aos policiais armados que guardavam as portas que não podia esperar mais. Eles me permitiram sair para o convés de frente para o quarto das crianças para espiar pela janela de vidro deslizante. Ele estava deitado em sua cama, com as cobertas ordenadamente, parecendo dormindo pacificamente.

Quando o médico legista finalmente terminou seu trabalho, fomos autorizados a entrar no quarto. Uma calma estranha tomou conta de mim. Deitei ao lado dele na cama que ele amava, segurei sua mão e continuei repetindo: ‘O que aconteceu, amigo? O que aconteceu?’

Ficamos ao lado dele por talvez 30 minutos e acariciamos seus cabelos antes que eles voltassem com uma maca para levá-lo embora. Fui com ele, segurando sua mão e sua testa através do plástico, enquanto ele era levado pela nossa garagem. Então todos os carros foram embora. O último a sair foi a minivan preta com Wiley”.

J.R. explica que o filho tinha sonhos de montar sua própria empresa de tecnologia e que seria o chefe, o pai completa que desde os 5 anos de idade o filho estava decidido a encontrar a mulher certa e se casar.

“Um dos incontáveis ​​momentos difíceis deste mês foi assinar sua certidão de óbito. Ver o nome dele escrito em cima foi difícil. No entanto, dois campos abaixo do formulário me esmagaram. O primeiro dizia: ‘Ocupação: nunca trabalhou’ e o segundo: ‘Estado civil: nunca se casou’. Ele queria tanto fazer as duas coisas. Sinto-me feliz e culpado por ter tido sucesso em cada um”.

O pai que agora sofre de vários arrependimentos, admite que tenta guardar na lembrança todas as coisas boas que seu filho teve tempo de fazer e deixa ainda conselhos aos pais na mesma publicação:

“Muitos perguntaram o que podem fazer para ajudar. Abracem os vossos filhos. Não trabalhem até tarde. Muitas das coisas em que estão a gastar tempo vão arrepender-se quando já não o tiverem. […] Se há alguma lição a tirar disto é lembrar os outros – eu mesmo – para não perderem as coisas que realmente importam”, conclui lembrando todos nós de amar e estar mais presentes na vida de nossos filhos.

Para refletir – o clube 99

Recebi o texto abaixo no WhatsApp, gostei bastante e vi que era necessário fixá-lo no blog. Essa é uma história daquelas que nos coloca no chão e nos faz pensar no modo como levamos a própria vida.

Era uma vez um rei muito rico. Tinha tudo. Dinheiro, poder, conforto, centenas  de súditos. Mas, ainda assim não era feliz.
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Um dia, cruzou com um de seus criados, que assobiava alegremente enquanto esfregava o chão com uma vassoura.
O rei ficou intrigado.
Como ele, um soberano supremo do reino, poderia andar tão cabisbaixo enquanto um humilde servente parecia desfrutar de tanto prazer?
– “Por que você está tão feliz?”, perguntou o rei.
– “Majestade, sou apenas um serviçal. Não necessito muito. Tenho um teto para abrigar minha família e uma comida quente para aquecer nossas barrigas”.
O rei não conseguia entender. Chamou então o conselheiro do reino, a pessoa em que mais confiava.
– “Majestade, creio que o servente não faça parte do Clube 99.
– “Clube 99? Mas, o que é isso?”
– “Majestade, para compreender o que é o Clube 99, ordene que seja deixado um saco com 99 moedas de ouro na porta da casa do servente”.
E assim foi feito.
Quando o pobre criado encontrou o saco de moedas na sua porta, ficou radiante. Não podia acreditar em tamanha sorte. Nem em sonhos tinha visto tanto dinheiro.
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Esparramou as moedas na mesa e começou a contá-las.
-“…96, 97,  98… 99.”
Achou estranho ter 99. Achou que talvez tivessem derrubado uma.
Provavelmente eram 100. Mas, por mais que procurasse, não encontrou nada. Eram 99 mesmo.
De repente, por algum motivo, aquela moeda que faltava ganhou uma súbita importância.
Com apenas mais uma moeda de ouro, uma só, ele completaria 100. Um número de 3 dígitos! Uma fortuna de verdade.
Ficou então obcecado por completar seu recente patrimônio com a moeda que faltava.
Decidiu que faria o que fosse preciso para conseguir mais uma moeda
de ouro. Trabalharia dia e noite. Afinal, estava muito perto de ter uma fortuna de 100 moedas de ouro.
Ele seria um homem rico, com 100 moedas de ouro.
E, daquele dia em diante, a vida do servente mudou.
Passava o tempo todo pensando em como ganhar uma moeda de ouro.
Estava sempre cansado e resmungando pelos cantos. Tinha pouca paciência com a família que não entendia o que era preciso para conseguir a centésima moeda de ouro.
Parou de assobiar enquanto varria o chão.
O rei, percebendo essa mudança súbita de comportamento, chamou seu conselheiro.
– “Majestade, agora o servente faz, oficialmente, parte do Clube 99.
E continuou:
– “O Clube 99 é formado por pessoas que têm o suficiente para serem felizes, mas mesmo assim não estão satisfeitas. Estão constantemente correndo atrás dessa moeda que lhes falta. Vivem repetindo que se tiverem apenas essa última e pequena coisa que lhes falta, aí sim poderão ser felizes de verdade. Majestade, na realidade é preciso muito pouco para ser feliz. Porém, no momento em que ganhamos algo maior ou melhor, imediatamente surge a sensação de que poderíamos ter mais. Passamos a acreditar que, com um pouco mais, haveria de fato, uma grande mudança. E ficamos em busca de um pouco mais. Só um pouco mais. Perdemos o sono, nossa alegria, nossa paz e machucamos as pessoas que estão a nossa volta”.
“Aquele pouco mais, sempre vira… um pouco mais”.
“Esse pouco mais é o preço do nosso desejo, da nossa paz.”
E concluiu:
– “Isso, majestade… é o Clube 99.
Moral da história:
Nascemos sem trazer nada, morremos sem levar nada…
E, no meio do intervalo entre a vida e a morte, brigamos por aquilo que não trouxemos e não levaremos…
Pense  nisso: Viva mais, ame mais, perdoe sempre e seja mais feliz.

A jornada do Juruna – Aporte nº 69

Aporte nº 69, setembro de 2019.

Para quem não sabe da história do nosso protagonista, veja aqui.

Aviso: não sou profissional com certificações para indicar investimentos! Todas as informações fornecidas neste site têm o intuito de provocar, de forma simples e didática, a busca por conhecimento para o leitor melhor conduzir a própria vida financeira.

Em 06/09/2019, o patrimônio de Juruna estava composto nas seguintes quantidades:

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Dinheiro novo em Set/19:

  • Aporte: R$ 2.000,00;
  • Proventos referentes a Agosto/2019: R$ 453,06;
  • Total a ser investido em Setembro/2019: R$ 2.453,06.

Respeitando o limite imposto na estrutura do patrimônio, Juruna aportou em renda fixa, adquirindo 1,89 títulos do tesouro IPCA + 2045 ao preço unitário de compra do dia  06/09/2019 (R$ 1.296,71).

Para quem quiser verificar a evolução do patrimônio de Juruna desde jan/2014, segue o link para o download da planilha: Carteira-do-Juruna-Set-2019

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Visão geral do portifólio do juruna em set/19
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Diversificação na renda variável
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Patrimônio do Juruna após o aporte de setembro/19

2019 acabando, sigamos em frente!

#foco

Egito antigo, ganância, ignorância e outros devaneios

Imagine que você está em casa, em pleno domingo, relaxando em casa, dado que o Flamengo mais uma vez humilhou o vasco. Daí o telefone toca.

Seu cunhado mais uma vez te enche a paciência lhe pedindo para participar de um “investimento” imperdível, oportunidade da vida, ganhos exponenciais, enfim, uma nova forma de levar a vida, que irá te permitir largar o emprego e viver plenamente com a participação neste novo plano de negócios.

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Mais uma vez essa droga!

Minha ideia era postar algo voltado ao mercado, porém alguns acontecimentos recentes me fizeram mudar de foco. Querendo ou não, saber investir corretamente também te traz ganhos no longo prazo – deixar de perder é ganhar.

Para a minha felicidade, a Unick Forex apresentou problemas no pagamento deles e pelo andar da carruagem, já quebrou e deixou todos os pobres diabos que “investiram” nela ao léu.

Eu já havia avisado aqui anteriormente sobre as formas de tomar ferro com dinheiro, segue o link: As aventuras de Mohammed, o investidor explosivo.

Como funciona um esquema Ponzi?

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Apresento-vos o primeiro malandro, Charles Ponzi.

Um esquema Ponzi é uma operação fraudulenta sofisticada de investimento do tipo esquema em pirâmide que envolve a promessa de pagamento de rendimentos anormalmente altos (“lucros”) aos otários, quer dizer, investidores, à custa do dinheiro pago pelos investidores que chegarem posteriormente, em vez da receita gerada por qualquer negócio real.

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Representação mais didática possível de uma pirâmide financeira – esquema ponzi.

História

Charles Ponzi era um emigrado italiano. Supõe-se que ele tenha chegado aos Estados Unidos na década de 1910. Indivíduo de poucos recursos, como a maior parte dos migrantes que então chegavam à América, “descobriu”, pouco tempo depois da chegada e graças a uma correspondência que recebera de Espanha, que os selos de resposta do correio internacional podiam ser vendidos nos Estados Unidos por um preço mais alto do que no estrangeiro. Assim começou o rumor e muitas pessoas não quiseram ficar fora do negócio e entregaram capitais a Ponzi. Mas embora Ponzi estivesse a recolher somas astronômicas de dinheiro, e houvesse filas para lhe entregar mais, na realidade não comprou selos com o dinheiro recebido. Pagava rendimentos de até 100% em três meses, com o capital dos sucessivos novos investidores.

Ponzi convenceu amigos e parceiros do novo negócio a apoiarem o seu sistema no início, oferecendo um retorno de 50% num investimento a 45 dias. Algumas pessoas investiram e obtiveram o prometido no intervalo temporal combinado. O esquema alargou-se, e Ponzi contratou agentes, pagando generosas comissões por cada dólar que pudessem trazer. Em fevereiro de 1920, Ponzi obteve cerca de 5.000 dólares americanos, uma grande quantia naquele tempo. Em março, já tinha 30 mil dólares. A histeria coletiva cresceu e Ponzi começou a expandir o negócio para a Nova Inglaterra e Nova Jersey. Os que investiam obtinham grandes lucros e estimulavam outros a investir. Já em maio do mesmo ano, Ponzi tinha conseguido recolher 420 mil dólares. Começou a depositar o seu dinheiro no Hanover Trust Bank of Boston (um pequeno banco da Hanover Street, no bairro de North End, cuja população era majoritariamente italiana), esperando que, se sua conta se tornasse bastante grande, ele poderia influir sobre a administração banco ou até mesmo tornar-se seu presidente. De fato ele conseguiu assumir o controle acionário do banco.

Em julho de 1920 já tinha milhões de dólares. Muitas pessoas venderam ou hipotecaram as suas casas, na esperança de ganhar quantias maiores. Porém, no dia 26 de julho grande parte do esquema começou a colapsar, depois que o Boston Post começou a questionar as práticas da empresa de Ponzi. Finalmente a empresa sofreu intervenção pelo Estado que congelou todas as novas captações de dinheiro. Muitos dos investidores reclamaram furiosamente o seu dinheiro, e, nesse momento, Ponzi devolveu o capital a quem o solicitou, o que causou um aumento considerável da sua popularidade, havendo muitos que lhe pediam para se candidatar a um cargo político público. As promessas de Ponzi cresceram ainda mais já que planejava criar um novo tipo de banco, no qual os lucros se repartissem de igual modo entre os acionistas e aqueles que investissem dinheiro no banco. Até planejou reabrir a sua empresa sob o nome “Charles Ponzi Company”, com o principal objectivo de investir em empresas em todo o mundo.

Graças ao seu esquema Ponzi começou a viver uma vida cheia de luxos: comprou uma mansão, com ar condicionado e aquecedor para a sua piscina, e trouxe a sua mãe de Itália em primeira classe. Rapidamente o imigrado pobre obteve não só uma grande quantidade de dinheiro como se cercou dos luxos mais extravagantes, para a sua família e para si mesmo.

Em agosto de 1920, os bancos e os meios de comunicação declararam Ponzi em bancarrota. O governo federal dos Estados Unidos finalmente interveio e descobriu a megafraude. Ponzi foi detido mas logo liberado, mediante pagamento de fiança. Decidiu continuar com o seu sistema, convencido de que o poderia sustentar. Rapidamente o sistema caiu e os poupadores perderam o seu dinheiro. A maior parte das pessoas não obteve benefícios, e muitos haviam reinvestido os lucros no esquema fraudulento. Embora a fraude tivesse sido descoberta e apesar de Ponzi ter sido deportado para Itália, ele foi aclamado como um benfeitor por muitos.

Nos dias de hoje…

Se vocês fizerem uma comparação com o que Ponzi fez e os esquemas atuais, não há qualquer diferença. É sempre a mesma história, porém os atores mudam. São as principais características de qualquer tipo de golpe como esse:

  • Promessa de altos rendimentos a curto prazo;
  • Obtenção de rendimentos financeiros que não estão bem documentados;
  • Dirigido a um público não financeiramente esclarecido;
  • Um único promotor ou uma única empresa;
  • Falta de Produto a ser consumido ou então um produto que é vendido a um preço muito maior que o preço de mercado. Porém a venda do produto é algo secundário, já que o mais importante é recrutar novas pessoas;
  • Movimentação apenas de dinheiro;
  • Nenhum vinculo com Leis Trabalhistas e de Arrecadação de Impostos Federais. Em geral, os participantes acabam “pagando para trabalhar”.

Comparação simples dos rendimentos absurdos

Taxa básica de juros no Brasil – SELIC: 6% a.a;

Média do crescimento do lucro dos maiores bancos do Brasil no 2T 2018 – 2T 2019 (Itaú, Bradesco, Santander): ( 10% + 31,87% + 21%)/3 = 20,96% a.a.

Obs: o ideal era ponderar a média em relação ao tamanho de cada banco, porém a ideia aqui é ser o mais simples possível.

Agora lhe pergunto:

Como uma empresinha como essas vai te dar um retorno de 1% ao dia? Tem que ser muito, mas muito ingênuo. Agora vou te mostrar o quão é absurdo esse rendimento:

Considerando 252 dias úteis no ano, vamos ver o quanto R$ 1,00 rende:

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Quem quiser conferir, segue o link da calculadora do cidadão: oi

É isso mesmo, povo. Em 10 anos, um único real sendo capitalizado à taxa de 1% ao dia se transforma em 77 bilhões de reais. Um dos princípios da Contabilidade é a Continuidade, ou seja, a empresa é feita para existir perpetuamente. Nem tentem capitalizar por mais 5 anos, com o rendimento em questão, provavelmente o indivíduo conseguirá comprar o sistema solar.

À essa taxa, fica impossível a existência do golpe por muito tempo.

Não é golpe financeiro, é marketing multinível!

O MMN, diferente dos esquemas ponzi, é legal e faz o recrutamento para venda de serviço ou produto. Pode ser utilizado para a representação de algum produto com o recebimento de comissão pela venda. Para saber se o esquema é legal, é preciso saber se a empresa lucra ao menos 70% da renda a partir da venda para não-membros.

Na minha opinião, são poucos os MMN viáveis no Brasil. Acredito ser um modelo de negócio que exige muito de você para que ele te dê um retorno viável. E como tempo é dinheiro, ignoro totalmente essa falácia do marketing ‘boca a boca”. Pelo amor de Deus, povo. Hoje em dia é abrir o negócio, fazer contas em redes sociais – principalmente instagram – e gerar reputação.

Os esquemas da vez

No Brasil, já tivemos golpes com todos os tipos de produtos. De avestruz a rastreadores de veículos. Geralmente esses esquemas envolvem produtos ou serviços inúteis, que não oferecem benefícios palpáveis – isso quando existem. Além da baixa qualidade, como por exemplo, os produtos da Hinode. Antes que venham algumas testemunhas de Hinode poluírem meu blog, deixo o link do Reclame Aqui referente à reputação da empresa em relação aos produtos que ela oferta: Hinode Reclame Aqui.

Atualmente, os esquemas surgem com dois produtos excepcionais para os piramideiros de plantão (disponibilizei também o posicionamento da CVM sobre cada um deles):

  1. Criptomoedas: Alerta CVM Criptoativos;
  2. Mercado FOREX: Alerta CVM FOREX.

Dois conceitos abstratos até para quem estuda o mercado de capitais. Imagine então para o brasileiro médio, que julga a poupança como investimento? Daí fecha a equação básica do ferro do investimento em golpes financeiros:

IGNORÂNCIA + GANÂNCIA = FERRO

O camarada infelizmente acredita no negócio e faz o investimento inicial. Começa a auferir os lucros e acaba cego pela ganância, colocando mais e mais dinheiro no golpe. o resultado já conhecemos:

O pior ainda pode acontecer. O incauto pode acumular ainda mais ganância e inicia o recrutamento de mais otár… quer dizer, investidores. O pobre diabo não consegue fazer um raciocínio simples como:

Se as criptomoedas dão muito retorno assim, por que os grandes bancos do Brasil não participam desse negócio?

Nem irei me alongar procurando entender o que se passa na cabeça do indivíduo, mas infelizmente a ignorância sobre o mercado de capitais acaba legitimando esse comportamento explosivo que é investir em uma pirâmide financeira.

Então é isso. Acredito que a maioria dos leitores do pracinha já estão vacinados sobre esse golpe, amém. Busquei aqui enfatizar os danos que esse esquema causa e também peço que vocês compartilhem esse conteúdo para os perdidos que ainda acreditam nisso.

Abração do pracinha = )

A jornada do Juruna – Aporte nº 68

Aporte nº 68, agosto de 2019.

Esse mês foi corrido na vida real, embora houve as férias escolares em julho, neste período fui escalado em uma viagem de instrução, pelo exército, em outro estado, quebrando totalmente a minha rotina. Agora que estou de volta ao Rio de Janeiro, voltemos à programação normal, sempre um post por semana.

Para quem não sabe da história do nosso protagonista, veja aqui.

Aviso: não sou profissional com certificações para indicar investimentos! Todas as informações fornecidas neste site têm o intuito de provocar, de forma simples e didática, a busca por conhecimento para o leitor melhor conduzir a própria vida financeira.

Em 09/08/2019, o patrimônio de Juruna estava composto nas seguintes quantidades:

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Dinheiro novo em Ago/19:

  • Aporte: R$ 2.000,00;
  • Proventos referentes a Julho/2019: R$ 98,36;
  • Total a ser investido em Agosto/2019: R$ 2098,36.

Respeitando o limite imposto na estrutura do patrimônio, Juruna aportou em renda variável, adquirindo 166 ações de TIMP3 (menor participação em relação às demais empresas) no preço máximo do pregão de 09/08/2019 (R$ 12,60).

Para quem quiser verificar a evolução do patrimônio de Juruna desde jan/2014, segue o link para o download da planilha: Carteira-do-Juruna-Ago-2019.

Sem título
Visão geral do portifólio do Juruna em Ago/19

 

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Diversificação na renda variável
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Patrimônio do Juruna após o aporte de agosto/2019

Partiu renda fixa em setembro!

#paz

É bizarro, mas faz sentido: na Europa, investidores estão pagando para emprestar dinheiro ao governo

Direito de autoria do site Mises Brasil.

Confira a tabela abaixo. A coluna yield mostra os juros anuais pagos pelos títulos públicos com prazo de 10 anos de duração.

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Juros (yield) pagos pelos títulos de 10 anos dos governos de cada país.

Sim, você leu corretamente: hoje, um investidor tem de pagar para emprestar dinheiro por dez anos para os governos da Suíça, da Alemanha, da Dinamarca, da Holanda, do Japão, da Áustria, da Finlândia, da França e da Bélgica.

Quem emprestar dinheiro para estes governos receberá, daqui a 10 anos, um valor menor do que o emprestado.

A título de ilustração, quem emprestar hoje 1.000 francos suíços para o governo da Suíça receberá de volta, daqui a 10 anos, 938 francos suíços.

Quem emprestar 1.000 euros para o governo da Alemanha receberá de volta, daqui a 10 anos, 965 euros.

Quem emprestar para o governo da Suécia não pagará nada, mas também não receberá nada a mais após 10 anos.

Já quem emprestar para os governos de Espanha e Portugal receberá juros de 0,41% e 0,48% ao ano, respectivamente. Ou seja, se você emprestar 1.000 euros para o governo espanhol, receberá daqui a 10 anos a impressionante soma de 1.041,76 euros. E isso desconsiderando o imposto de renda.

Para prazos menores que 10 anos, o número de países com juros negativos em seus títulos públicos passa a incluir Suécia, Irlanda, Espanha (!), Portugal (!!) e Itália (!!!). Portugal e Espanha pagam juros negativos até os títulos de 5 anos de prazo. A Itália, até os de 1 ano. Confira tudo aqui.

O governo da Alemanha, por outro lado, paga juros negativos até os títulos de 15 anos de prazo.

Já o governo da Dinamarca está prestes a bater um recorde bizarro: falta 0,01 ponto percentual para ele se tornar o primeiro governo do mundo a usufruir juros negativos em todos os seus títulos públicos.

Com efeito, o volume de dinheiro aplicado em títulos públicos com juros negativos atingiu um recorde histórico: há simplesmente 12 trilhões de dólares aplicados nestes títulos, como mostra este gráfico do Financial Times.

 

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Evolução da quantidade de dinheiro (em dólares) aplicado em títulos públicos com rentabilidade negativa

A pergunta é inevitável: por que alguém aceitaria pagar para que o governo pegasse seu dinheiro emprestado? Tal prática não vai contra toda a lógica financeira e, até mesmo, da preferência temporal?

Comecemos pelo básico.

Não há escapatória

É fato que tal idéia seria completamente inconcebível no mundo anterior à crise financeira de 2008. Mas aquele era outro mundo. Hoje, como consequência de todos os programas de afrouxamento quantitativo realizado pelo Banco Central Europeu, a prática de pagar para emprestar dinheiro ao governo já se tornou norma na Europa.

Pior: ela faz total sentido hoje.

De início, muitas pessoas, normalmente leigas, se perguntam por que pagar para emprestar dinheiro ao governo (que é o que ocorre quando as taxas de juros são negativas) sendo que seria muito mais vantajoso simplesmente deixar o dinheiro parado. Afinal, no primeiro caso, você está perdendo um pouco do dinheiro; no segundo, você mantém a quantia original intacta.

Essa pergunta é típica de quem não conhece o atual sistema financeiro e monetário. A esmagadora maioria do dinheiro (mais de 85%) está na forma de dígitos eletrônicos; apenas uma quantia mínima (não mais do que 10%) está na forma de cédulas e moedas metálicas.

Sendo assim, simplesmente não há como investidores e fundos de investimento que gerenciam bilhões de euros — ou até mesmo aqueles que gerenciam “apenas” milhões de euros — irem até o banco da esquina e sacarem tudo em espécie. Os bancos não restituem em espécie esses valores. Eles são legalmente isentos, pelo governo, de fazerem isso. O dinheiro eletrônico está “preso” no sistema financeiro e não há como esses dígitos serem convertidos integralmente em cédulas e moedas metálicas. Tudo o que os investidores podem fazer é transferir dígitos eletrônicos de um lugar para outro. E só. Não há como sair dos dígitos eletrônicos.

O Banco Central da Suíça, por exemplo, já anunciou que os bancos não mais têm de fornecer cédulas para nenhum fundo de investimento que queira sacar dinheiro. Uma empresa de seguros tentou fazer isso, mas o banco se recusou. O Banco Central da Suíça, portanto, fez uma declaração ao mundo: ele deixou claro que não há como fugir do dinheiro eletrônico digital.

Portanto, dado que não há como fugir desse arranjo monetário e bancário, a única maneira de grandes investidores e grandes fundos de investimento preservarem seu capital é investindo-o em ativos que é, ao menos em tese, são considerados seguros e até mesmo “livre de riscos”.

Ativos considerados seguros são os títulos da dívida dos governos de países desenvolvidos. Já os ativos considerados “livres de risco” são, principalmente, os títulos da dívida dos governos alemão, suíço, holandês, austríaco e nórdicos. Para estes últimos é direcionada a maior fatia do dinheiro dos grandes investidores e dos fundos de investimento europeus. O restante está indo para os títulos de mais curto prazo dos outros governos da Europa.

Adicionalmente, vale enfatizar que, em uma situação em que as taxas de juros estão em queda, é possível obter elevados ganhos de capital ao se comprar títulos de longo prazo: à medida que os juros vão caindo ainda mais, os preços de mercado desses títulos vão subindo.

Ou seja, se você comprar um título por $ 100, e os juros caírem, você pode revender esse mesmo título por, digamos, $ 102. Isso é uma taxa de retorno muito positiva, e nada negativa.

O que vem por aí

Tendo entendido agora que fundos de investimento e hedge funds não têm como converter em papel-moeda todos os bilhões de euros sob sua administração — eles operam com dígitos eletrônicos e esses dígitos eletrônicos podem apenas ser transferidos de um lugar para outro —, fica mais fácil começar a entender o que se passa.

Mas por que então eles simplesmente não deixam esse dinheiro parado em alguma conta-corrente de algum banco?

Em primeiro lugar, porque alguns bancos, obviamente, também já passaram a impor “juros negativos” — ou seja, passaram a cobrar juros de seus correntistas.

Na Alemanha, desde 2016, dois grandes bancos passaram a praticar taxas de juros negativas sobre depósitos acima de 100.000 euros. E não só de empresas, mas também de pessoas físicas. Na Suíça, alguns bancos também já estão fazendo o mesmo. Nada garante que a prática não irá se disseminar.

Mas isso ainda é o de menos. Ao menos por enquanto, a grande maioria dos bancos europeus ainda não adotou essa prática. Logo, a pergunta permanece: por que então os grandes investidores e fundos de investimento simplesmente não deixam esse dinheiro parado em alguma conta-corrente de algum banco?

É aí que a encrenca se revela. A julgar pelas atitudes destes investidores, tudo indica que, no mínimo, eles não estão seguros nem quanto à solidez dos bancos europeus e nem quanto à situação da economia europeia.

Falando mais claramente, este fenômeno que está ocorrendo na Europa indica que:

  1. Estes grandes investidores acreditam que uma crise econômica se aproxima, o que tende a afetar os bancos.
  2. Como consequência, há uma grande desconfiança em relação ao sistema bancário europeu. Assim como ocorreu no Chipre, caso os bancos europeus quebrem não mais haverá pacotes de socorro com dinheiro público; os próprios correntistas é que terão de socorrer seus respectivos bancos.
  3. As regras da União Europeia, desde janeiro de 2016, proíbem resgates bancários com dinheiro de impostos (“bail-outs”), permitindo somente os “bail-ins”, que é quando o dinheiro dos correntistas do próprio banco é utilizado para recapitalizar o banco insolvente. Em termos práticos, o dinheiro que está nas contas-correntes, nas contas-poupança ou em CDBs é confiscado e incorporado ao patrimônio líquido do banco, aumentando seu capital.  O dinheiro que até então era contabilizado como um passivo para o banco torna-se um patrimônio líquido do banco.
  4. E dado que os títulos públicos alemães, suíços, dinamarqueses, holandeses e austríacos são vistos como mais seguros que quase todos os outros, é para eles que vai a maior fatia do dinheiro.

Em um cenário de grandes incertezas econômicas e de desconfiança em relação à solidez do sistema bancário, investidores racionais fazem exatamente o que já estão fazendo agora: eles direcionam seu capital para aqueles ativos mais seguros e mais líquidos que existem, mesmo que para isso tenham de pagar uma taxa (os juros negativos).

E eles pagam alegremente essa taxa, desde que ela lhes garanta proteção.

Mais ainda: caso os juros caiam ainda mais — o que significa que o preço dos títulos está subindo — é possível auferir grandes lucros. E tudo indica que os juros seguirão caindo. Logo, é uma situação ótima do ponto de vista racional: você está em um porto seguro e ainda tem boas chances de lucrar.

Os grandes investidores já perceberam que os Bancos Centrais, principalmente o europeu, não só não deixarão as taxas de juros de longo prazo subir, como ainda estão trabalhando para reduzi-las. Os BCs estão recorrendo a todos os tipos de heterodoxias monetárias — desde a compra de títulos governamentais de longo prazo até a compra de todos os tipos de debêntures emitidos por empresas — para tentar manter baixas todas as taxas de juros de longo prazo.

O Japão foi o primeiro a fazer isso. Começou ainda no início da década de 2000. Após 2008, o Fed fez o mesmo (mas interrompeu essa política em 2014). O Banco Central Europeu entrou na onda em 2010. O Banco Central da Suíça fez coro a partir do final de 2011.

E, dado que as taxas de longo prazo tendem a se manter em queda, faz total sentido para os grandes investidores europeus continuar comprando títulos públicos.

Logo, eles estão fazendo exatamente o que qualquer investidor racional faria em épocas de grande incerteza: estão tentando manter seu principal.

Eles querem receber de volta o máximo possível do valor total de que eles inicialmente abriram mão. Para isso, aceitam pagar aos governos uma “taxa de custódia”: afinal, é melhor aplicar em títulos públicos e, na pior das hipóteses, pagar uma taxa por isso do que aplicar em bancos e ver esses bancos quebrarem em uma nova recessão e eles serem obrigados a abrir mão do seu dinheiro para socorrer os bancos.

E há também um bônus: caso tudo “dê certo” — isto é, caso os juros destes títulos públicos continuem caindo —, ainda é possível auferir um bom lucro com a venda antecipada destes títulos.

Isso não ocorre nos EUA

Nos EUA, há um serviço privado que não existe na Europa. São as contas CDARS (Certificate of Deposit Account Registry Service).

Quando você coloca seu dinheiro em um CDARS, ele divide esse dinheiro em várias contas bancárias entre mais de 3 mil bancos diferentes. Cada conta bancária fica dentro do limite de US$ 250.000 garantido pelo FDIC (o FGC americano) em caso de quebra bancária.

Ou seja, por meio dos CDARS, os milionários e bilionários americanos podem dividir suas fortunas em mais de 3 mil bancos distintos, em montantes que não ultrapassam US$ 250.000 por banco, de modo que o montante total acaba contando com a cobertura da FDIC. Assim, eles têm a segurança de que serão totalmente restituídos em caso de quebras bancárias, não perdendo nem um centavo.

Na Europa, tal serviço não existe. Consequentemente, todos correm para os títulos dos governos, principalmente alemão, suíço e nórdico, o que os empurra para o negativo. Já nos EUA, não há esta urgência.

E este é um dos fatores por que os títulos públicos americanos nunca entraram no negativo (outro fator é o fato de que o Fed nunca embarcou na bizarrice de impor taxas de juros negativas sobre toda e qualquer quantidade de dinheiro que os bancos comerciais depositam nele, como faz o Banco Central Europeu).

Conclusão

As taxas de juros que os grandes investidores europeus estão pagando aos governos europeus em troca de seus títulos nada mais são do que um seguro contra uma recessão e contra uma eventual insolvência bancária durante esta recessão. Tal atitude faz sentido.

O fato de que milionários e bilionários estão pagando para emprestar dinheiro aos governos europeus indica que há um crescente temor de que haverá uma contração na economia européia. E eles imaginam que esta contração tende a ser aguda.

Títulos públicos de vários países (inclusive Portugal, Espanha e Itália) com juros negativos podem ser um indicativo de um amplo temor entre os grandes investidores de que está se avizinhando algo semelhante à crise de 2008-2009.

“Melhor uma perda pequena e segura do que uma perda enorme e altamente provável” tornou-se o mantra entre os grandes investidores europeus.

Trata-se de uma reação perfeitamente sensata a um cenário pós-2008.